Bispos pedem empenho do governo para combater miséria

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Publicado sexta-feira, 19 de abril de 2002 as 16:07, por: cdb

A 40ª Assembléia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) termina, nesta sexta-feira, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, interior de São Paulo, com a divulgação de um documento onde os bispos denunciam e pedem medidas contra a crescente miséria e a fome no país, com “políticas públicas adequadas, firmes e ousadas”.

“Nos preocupa e aflige a desumana miséria e a fome que alcança dezenas de milhões de brasileiros”, diz o documento. Os bispos ressaltam que a modernização do país não pós um fim ao drama dos pobres. “Apesar de todo o progresso tecnológico e da modernização da economia, a fome persiste como indicador mais visível da situação desumana que coloca nosso país entre os mais injustos do planeta”, acrescenta o documento.

A Igreja também denunciou que “as desigualdades sociais crescem como fruto desse modelo de globalização de mercado, que concentra poder e riqueza enquanto reduz os postos de trabalho nas atividades econômicas na cidade e no campo”, além de degradar a natureza, causar desastres ecológicos e multiplicar o número de excluídos.

“Como pode uma população cristã, em sua maioria, conviver com essa situação?”, perguntam os bispos, que consideram que o “resgate da dignidade humana, especialmente dos pobres, não pode se limitar à assistência emergencial”.

Para os bispos, é preciso uma nova mentalidade. “É necessária outra mentalidade e políticas públicas adequadas, firmes e ousadas, mas também uma ação com mais empenho da sociedade civil”.

“Não é aceitável que permaneçamos indiferentes diante da injustiça, da exclusão social, da fome frente ao consumismo exacerbado e ao desperdício”, destacou o documento. A CNBB convocou no mesmo documento a “união nacional para a superação da miséria e da fome”.

Segundo dados oficiais, 10 por cento da população brasileira detêm 50 por cento da riqueza, enquanto o outro extremo da sociedade, os 40 por cento dos mais pobres nem sequer têm direito a 10 por cento da riqueza. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, mais de 55 milhões de brasileiros vivem com menos de 35 dólares por mês, uma renda insuficiente para comprar gêneros alimentícios necessários para viver.