Bispos debatem caminhos para a Igreja na América Latina

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 12 de maio de 2007 as 12:01, por: cdb

Analisar a presença e a ação da Igreja em seu território, identificar problemas e dificuldades comuns, promover uma troca de experiências e encontrar um comum acordo sobre a linha pastoral a ser seguida na América Latina. São estes os objetivos centrais da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), a ser realizada entre os dias 13 e 31 de maio, em Aparecida, São Paulo.

Além dos bispos que representarão seus países de origem, que concentram o caráter mais deliberativo da Celam, participarão 78 convidados dos países participantes, sendo 13 especialistas, 16 representantes dos religiosos e religiosas, quatro diáconos permanentes, cinco representantes de movimentos, 24 presbíteros e 16 leigos. Os nomes foram aprovados pelo papa Bento XVI. Juntos, eles discutirão sobre o tema central: Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos n’Ele tenham vida, inspirando na passagem “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo. 14,6).

Desde o ano passado, iniciou o debate sobre os temas a serem discutidos em maio, e várias conferências episcopais de países da América Latina e do Caribe realizadas este ano, como as de Porto Rico, Venezuela e Colômbia, sugeriram novas idéias para serem debatidas na Conferência de Aparecida. Os bispos começaram a chegar a Aparecida no dia 11, com tempo para se prepararem para a missa inaugural do dia 13, quando os trabalhos da Conferência são oficialmente abertos. O auditório Padre Noé Sotillo, no subsolo da Basílica Nova, sediará a abertura e também as sessões plenárias de todo o evento.

Em conformidade com o regulamento sugerido pela diretoria da Conferência e aprovado pela Santa Sé, logo no primeiro dia são formadas comissões de trabalho específicas para cada tipo de atividade, como a comunicação, a redação dos textos oficiais e o trato de assuntos jurídicos. Tomando por base estas discussões prévias, sessões plenárias são formadas para aprovar os temas propostos, as quais se segue uma nova divisão em grupo, mas desta vez por categorias temáticas, contando com apresentações de bispos e/ou especialistas convidados. Na última sessão, marcada para a manhã do dia 31, será aprovado o documento que concluirá a V Conferência Geral, uma síntese das reflexões feitas e um apanhado das ações a serem implementadas a partir delas.

Durante a Conferência, os fiéis poderão acompanhar, por rádio e tevê, toda a parte litúrgica do evento. Em discurso aos jovens proferido no dia 10, o papa Bento XVI destacou a importância da V Conferência.

– Como ocorreu com as conferências anteriores, esta também marcará de modo significativo os próximos dez anos de evangelização na América Latina e no Caribe. Ninguém deve ficar à margem ou permanecer alheio a este esforço da Igreja, sobretudo os jovens. Vocês têm todo o direito de serem considerados como parte da Igreja, que representa o rosto de Jesus Cristo para a América Latina e para o Caribe”, destacou o papa.

A convocação para a realização de uma conferência parte da Santa Sé, geralmente atendendo a um pedido dos bispos. Em suas quatro primeiras edições, o encontro somou a outras atividades desenvolvidas pela Igreja. A primeira, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1955, foi convocada pelo papa Pio XII, que aproveitou a mobilização para o Congresso Eucarístico Nacional, ao qual seguiu a Conferência.

A presença do papa na inauguração da Conferência, como ocorrerá este ano, teve início na II Conferência, realizada em Medellín(1968), na Colômbia, que contou com a presença do papa Paulo VI. Na verdade, as duas únicas visitas realizadas por ele ao continente foram motivadas pela execução da Conferência. Mais afeito a viagens internacionais, o papa João Paulo II convocou as conferências III e IV, em Puebla (1979), no México, e em Santo Domingo (1992), capital da República Dominicana, participando das sessões inaugurais de ambas.