Bezerra da Silva é enterrado no Rio, artistas prestam última homenagem

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Publicado terça-feira, 18 de janeiro de 2005 as 17:52, por: cdb

Malandros e manés, personagens das músicas de Bezerra da Silva, aplaudiram o compositor nesta terça-feira, pela última vez, quando o caixão com o corpo do sambista deixou o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, para ser enterrado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, no Caju, zona norte do Rio. Cerca de 200 pessoas prestaram homenagem ao cantor no cemitério, mas desde a tarde de segunda-feira, quando seu corpo foi para o velório, mais de mil passaram por lá. Zeca Padoginho, Noca da Portela, Monarco Zezé Motta, Haroldo Costa, Darcy da Mangueira, Gal Costa, Emilinha Borba, Neguinho da Beija-Flor e Falcão, do Rappa, entre outros, foram se despedir do sambista que cantava a vida dos excluídos.

Os artistas se misturaram à multidão de anônimos que tinham Bezerra como ídolo e se despediram dele cantando “Malandragem, dá um Tempo” (‘Vou apertar, mas não vou acender agora’), seu grande hit, lançado em meados dos anos 80. O corpo do sambista deixou o teatro pouco depois de 14 horas, no alto de um carro do Corpo de Bombeiros e coberto pelas bandeiras do Brasil e da escola de samba Alegria da Zona Sul, que desfila no Grupo de Acesso A.

– Ele morreu na segunda-feira para não atrapalhar o feriado de ninguém, deve estar fazendo um salseiro no céu – disse o sambista Dicró, que gravou com ele e Moreira da Silva o CD Três Malandros in Concert, parodiando os tenores José Carreras, Plácido Domingos e Luciano Pavarotti.

A irmã mais velha do sambista, Wanda Bezerra da Silva, sua mulher, Regina, e os filhos acompanharam o corpo caixão até a sepultura. Ele foi enterrado ao som de suas músicas. Bezerra da Silva tinha 77 anos e morreu na segunda-feira (17), de manhã, após uma longa internação no Hospital dos Servidores do Estado.

– Ele era um malandro com uma bossa muito bonita – disse Monarco quando deixava o cemitério.

– Vai deixar muita saudade.