Berlusconi pede desculpas ao mundo muçulmano

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 28 de setembro de 2001 as 15:38, por: cdb

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que governa com a ajuda de neofacistas, pediu desculpas nesta sexta-feira, no Parlamento em Roma, pelas declarações que fez em Berlim sobre uma pretensa superioridade da civilização ocidental sobre o mundo islâmico. Ele alegou que suas palavras foram divulgadas fora de contexto e interpretadas de maneira errônea.

As gafes do chefe de governo e magnata da mídia italiana, durante sua curta visita à Alemanha, geraram grande indignação e críticas contundentes no mundo islâmico, na União Européia e vários países-membros. O governo alemão, ao qual Berlusconi causou constrangimento anteontem com os comentários depreciativos sobre os islâmicos, também se distanciou de suas declarações. O porta-voz Uwe Karsten Heye disse que o gabinete do chanceler federal, Gerhard Schröder, não compartilha da opinião de Berlusconi. “Somos contra todo tipo de discriminação e generalização”, afirmou.

Por coincidência, o presidente alemão, Johannes Rau, encontrou-se hoje com representantes do Conselho Central dos Islâmicos na Alemanha. Ele propôs, em seguida, uma introdução de aulas de islamismo em alemão nas escolas do país, como disciplina optativa. Na semana posterior aos atentados terroristas em Nova Iorque e Washington, atribuídos a fanáticos islâmicos, o chefe de governo, Schröder, reuniu-se com os dirigentes das organizações de cúpula islâmica e judaica, bem como das Igrejas católica e luterana.

O primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, rechaçou igualmente as declarações de Berlusconi. Por causa delas, o presidente do Senado italiano, Marcello Pera, foi desconvidado nesta sexta-feira para um compromisso oficial em Paris. O presidente da Liga Árabe, Amr Mussa, exigiu que o premiê italiano retirasse suas palavras ou se desculpasse.

Depois de um encontro com Schröder, quarta-feira, em Berlim, Berlusconi afirmou, entre outros comentários depreciativos: “Nós temos de nos conscientizarmos da superioridade da nossa civilização – um sistema que garante bem-estar social, observação dos direitos humanos e, ao contrário do países islâmicos, respeito às religiões e direitos políticos”.