Berlusconi enfrenta eleição decisiva em Milão

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Publicado segunda-feira, 30 de maio de 2011 as 09:10, por: cdb
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Berlusconi teve a imagem afetada por uma série de escândalos sexuais

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, corre o risco de perder seu principal pé de apoio na política do país, em Milão, para a esquerda pela primeira vez em duas décadas após eleições locais que mostraram quão frágil é sua coalizão de centro-direita. Cerca de 6 milhões de italianos estão habilitados para votar nas disputas pelas prefeituras de 90 cidades e seis províncias nesta segunda-feira, mas a atenção está concentrada na capital financeira Milão e no porto de Nápoles, no sul.

A votação começou às 7 da manhã (uma da manhã em Brasília) desta segunda-feira, e os resultados são esperados para a noite, já que as urnas foram fechadas às 13h (9h no horário de Brasília).

Como o governo está preparando planos para cortar o déficit do orçamento em cerca de 40 bilhões de euros depois que a agência de avaliação de riscos Standard and Poor’s rebaixou a perspectiva para a nota A+ da Itália de “estável” para “negativo”.

Uma derrota em sua terra natal de Milão seria um golpe duro em um premiê já enfraquecido por uma série de escândalos sexuais, julgamentos por corrupção e uma economia claudicante, e pode despertar dúvidas sobre a capacidade de seu governo de impor cortes dolorosos.

Apesar da dívida pública escalonante de cerca de 120 por cento do produto interno bruto, a Itália vem conseguindo evitar o caos financeiro visto na Grécia e em Portugal, mas o alerta da Standard and Poor’s no início deste mês foi um lembrete do preço da inação.

“Este é o verdadeiro dilema. O governo atual conseguirá administrá-lo?”, perguntava o diário econômico Il Sole 24 Ore em editorial nesta segunda-feira.

Berlusconi levou uma surra no primeiro turno entre 15 e 16 de maio, quando uma centro-esquerda sem inspiração se manteve com facilidade em Turim e na Bolonha e impôs um segundo turno à centro-direita em Nápoles e Milão, seu reduto de longa data.

Uma derrota quase certamente aprofundaria a cisão com seu principal aliado, a Liga Norte, e pode provocar mudanças em sua liderança na centro-direita, intacta a não ser por isso, embora ministros veteranos tenham descartado qualquer mudança de curso antes das próximas eleição nacionais em 2013.

“Não vejo nenhuma possibilidade de um governo alternativo. E não acho que ninguém queira eleições antecipadas”, disse o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, um dos apoiadores mais fiéis de Berlusconi, ao jornal La Stampa.