Beltrame defende atendimento médico de presos apenas em hospitais penitenciários

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Publicado segunda-feira, 20 de junho de 2016 as 13:36, por: cdb

Questionada sobre isso e por qual motivo não aumentou o número de policiais, a Polícia Militar apenas disse que havia reforçado o local com quatro militares

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, quer apresentar ao governo Fluminense uma proposta para que presos tenham o atendimento médico feito apenas em hospitais penitenciários. A ideia foi apresentada durante reunião do Gabinete de Gestão de Crise, realizada no domingo para discutir o resgate de Nicolas Labre Pereira de Jesus, conhecido como Fat Family, por homens armados dentro do Hospital Souza Aguiar.

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame
O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança, a proposta foi debatida pelos participantes do encontro e ficou de ser levada para discussão com outro representantes do governo estadual. Responsável pelo Hospital Municipal Souza Aguiar, onde ocorreu no domingo, a Secretaria Municipal de Saúde preferiu não se posicionar por ainda não ter sido comunicada sobre uma possível mudança ou de uma reunião para estudar a troca, mas se colocou à disposição para ouvir as ideias do secretário.

O sistema penitenciário Fluminense tem dois hospitais penais, a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Dr. Hamilton Agostinho Vieira de Castro, em Bangu, Zona Oeste do Rio, e o Hospital Penal de Niterói. Além disso, há o Hospital Psiquiátrico Roberto Medeiros, em Bangu.

Quanto às informações de que os policiais já sabiam que haveria uma tentativa de resgate do criminoso, a Secretaria Estadual de Segurança afirmou que “todo o fluxo de informações funcionou”. Segundo o  órgão, na noite de quinta-feira, os primeiros informes chegaram à Coordenadoria de Comunicações e Operações Policiais da Polícia Civil (Cecopol), aos setores de Inteligência da secretaria e das polícias. A comunicação foi imediatamente repassada ao setor operacional responsável, o 5º Batalhão de Polícia Militar da Praça da Harmonia, para as devidas providências.

Questionada sobre isso e por qual motivo não aumentou o número de policiais, a Polícia Militar apenas disse que havia reforçado o local com quatro militares, mas que, ainda no pátio externo, os criminosos renderam um ambulante e o fizeram refém.

O grupo estava armado de fuzis, pistola e explosivos. Um artefato foi arremessado contra a viatura policial e, no momento da chegada dos criminosos, um soldado do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que estava socorrendo um amigo também foi atacado. Os dois foram feridos e o amigo do policial morreu.

Posteriormente, os criminosos renderam e fizeram uma funcionária refém e a obrigaram a mostrar onde estava Fat Family. Ele teve sua algema cortada por um alicate, que foi abandonado no local. Após a saída do grupo de criminosos, policiais militares do 5º Batalhão fizeram varredura por todo o hospital e áreas próximas, para verificar se havia algum criminoso.

A polícia também informou que está fazendo operações na região metropolitana do Rio para tentar os prender criminosos que participaram do resgate de Fat Family. A polícia pede que quem tiver informações sobre os suspeitos ligue para o Disque-Denúncia, no telefone (21) 2253-1177 ou 190.

Preso

O juiz titular da Vara de Execuções Penais, Eduardo Oberg, determinou nesta segunda-feira, a transferência, em caráter urgente, do traficante Edson Pereira Firmino de Jesus, conhecido como Zaca, do Instituto Penal Vicente Piragibe para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1), no Complexo de Gericinó.

Zaca é tio do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, conhecido como Fat Family, resgatado por homens armados no domingo do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio.

A decisão do magistrado foi tomada, entre outras razões, com base no noticiário e em um áudio disseminado pelo aplicativo WhatsApp, no qual um criminoso comunica-se com Zaca e comemora a retirada de Fat Family do hospital.

– Tais provas com fortes evidências, na doutrina e jurisprudência, indicam que deve o juiz adotar medida cautelar de resguardo da segurança pública – afirmou o juiz Eduardo Oberg. O titular da Vara de Execuções Penais também determinou que a Delegacia de Homicídios abra inquérito para apurar a conduta de Zaca e de outros detentos no sistema penitenciário.