Belo Horizonte se assusta com guerra entre Gangues

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Publicado terça-feira, 30 de dezembro de 2003 as 01:52, por: cdb

A execução da adolescente Érika Patrícia de Jesus, 15 anos, ilustra bem, segundo a polícia, a guerra de gangues no Bairro Taquaril, Leste de Belo Horizonte. Os detetives da Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) já possuem uma descrição detalhada dos dois homens altos, negros, sem camisa, que arrancaram a vítima da cama, por volta das 5 horas da madrugada do último domingo. Eles pertenceriam a uma gangue liderada por um rapaz identificado somente como ‘Ná’.

No momento do crime, Érika vestia apenas uma camisola e, após ser arrastada por cerca de 50 metros pela rua, foi jogada em uma vala e morta com vários disparos à queima-roupa. Segundo testemunhas, enquanto arrastavam a menor, um dos criminosos teria gritado:
 
-Você está lembrada daquilo, Érika?

Contudo, a partir de agora, os detetives que trabalham no caso não esperam a mesma colaboração dos moradores daquela obtida logo após o crime. Com a saída da polícia, volta a imperar na região a ‘Lei do Silêncio’, imposta pelos bandidos a quem vive no Taquaril para garantir a impunidade.

Érika foi sepultada na tarde de ontem no Cemitério da Saudade, também na Região Leste da capital. Nenhum familiar presente à cerimônia quis comentar a onda de violência que toma conta do bairro. A linha de investigação da polícia aponta para a ligação entre a morte de Érika e de outras quatro mulheres no mesmo bairro.

Entre esses crimes, está a morte de Daniela Alves Coutinho, 15 anos, fuzilada na tarde do último sábado. Em outubro, a líder comunitária Marli de Cássia Mota Almeida e sua filha Simone Cássia de Almeida também foram assassinadas. Todas as vítimas tiveram a casa invadida e foram mortas na rua, na frente de outros moradores, para servir de exemplo.

Daniela morreu, segundo a polícia, porque convivia com integrantes da gangue chefiada por um rapaz identificado somente como ‘Porcão’. Ao se recusar a revelar informações sobre a gangue, foi executada a mando do líder do grupo rival, ‘Ná’.

O mesmo teria ocorrido com Érika. No caso desta última, os assassinos tentavam obter informações sobre o paradeiro de pessoas ligadas a ‘Porcão’ para vingar uma tentativa de homicídio ocorrida na noite de sexta-feira.