Belo Horizonte é destaque no combate à hanseníase

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Publicado quarta-feira, 4 de abril de 2012 as 15:34, por: cdb

Manchas nas mãos e dormência. Estes foram os sintomas que fizeram com que a empregada doméstica, Geralda Pinto de Almeida, procurasse o centro de saúde Paraíso, região Leste de Belo Horizonte. Depois de uma consulta e um pedido de exame, Geralda foi diagnosticada como portadora de hanseníase. “Tomei o medicamento durante um ano e me curei. A minha maior preocupação era não passar a doença para ninguém”, contou.

Geralda faz parte de uma estatística de cura que vem aumentando a cada ano em Belo Horizonte. No início de março, o Ministério da Saúde divulgou o Índice de Desenvolvimento do SUS (IDSUS), que faz uma aferição contextualizada do desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) de todos os municípios. A capital mineira apresentou o melhor desempenho entre as cidades com população superior a 2 milhões de habitantes. Um dos fatores responsáveis pela boa classificação foi o indicador de proporção de cura de novos casos de hanseníase, com a pontuação de 8,85.

Com o percentual de 78,9% de cura, contra 75,3% no último ano, o programa de controle da hanseníase aposta no diagnóstico precoce e na investigação de contatos, para atingir um tratamento eficaz dos pacientes. A curto prazo a meta é atingir no mínimo 90% de cura. Segundo o coordenador do Programa de Controle da Hanseníase da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Silmar Paulo Moreira Rates, o tratamento pode ser feito 100% pelo SUS. “São dois tipos de tratamento: o primeiro, com duração de seis meses, para aqueles pacientes que apresentam menos de cinco lesões. Já o segundo, com duração de 12 meses, é para aqueles que possuem mais de cinco lesões”, explicou.

Segundo o coordenador, o preconceito com a doença existe devido à falta de informação. “Depois da 2ª e 3ª dose do medicamento o paciente não transmite mais a doença, porém as pessoas não acreditam nisso”, disse.

E foi justamente por causa do preconceito que Geralda não quis contar para ninguém quando recebeu a notícia sobre a doença. “Muitos olhavam para minha mão e diziam que era câncer, outras falavam que ela ia cair. Eu dizia para eles que minha mão estava daquele jeito por causa de produtos químicos. Só depois que o médico disse que eu estava curada que eu contei”, relembra.

Hanseníase

A hanseníase é uma doença infecto contagiosa e causada por uma bactéria que afeta a pele e os nervos periféricos. A doença é caracterizada por mancha na pele com perda de sensibilidade.

Todos os 147 centros de saúde de Belo Horizonte estão aptos a receber e tratar os portadores de hanseníase da capital. A cada 28 dias o paciente deve procurar à unidade de saúde para tomar a dose supervisionada do remédio. Durante a consulta, a pessoa recebe uma cartela de medicamentos para os próximos 28 dias.

Quando o paciente está no estágio mais avançado da doença, ele é encaminhado para as unidades referência, Hospital das Clínicas, Santa Casa e Hospital Eduardo de Menezes. Porém, os pacientes ainda podem fazer o acompanhamento nas unidades básicas de saúde.

Atualmente, 177 pacientes estão em tratamento de hanseníase em Belo Horizonte. Desse total, 125 são casos de residentes da capital.