Beira-Mar é “dócil”, dizem funcionários da penitenciária de SP

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Publicado quarta-feira, 7 de maio de 2003 as 19:27, por: cdb

Funcionários do Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo) consideram dócil o comportamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, na unidade.

O criminoso, que supostamente comandou assassinato por telefone celular e em setembro do ano passado teria ordenado a morte de quatro rivais em rebelião na penitenciária de Bangu 1, no Rio de Janeiro, retornou ao presídio na madrugada da última terça-feira (6) após 39 dias detido na Superintendência da Polícia Federal em Maceió (AL).

– Aqui dentro ele não é nem sombra do Beira-Mar que a televisão e os jornais dizem -, comentou um funcionário, que preferiu não se identificar.

Ele, que já teve contatos com o traficante, traça um perfil do criminoso que conheceu por causa de seu trabalho.

– O Beira-Mar é mais “na dele” (reservado), não conversa muito, mas sempre que fala com a gente é com educação -, disse.

Segundo o funcionário, todos os presos agem da mesma forma.

– Aqui eles se comportam como coitadinhos, nem parecem os criminosos perigosos que a gente ouve falar.

Sequestradores, assaltantes de banco, traficantes e homicidas, com histórico de crimes bárbaros, tratam a todos de forma respeitosa. A palavra “senhor”, sinal de deferência, sempre é utilizada pelos detentos ao se dirigir aos agentes de segurança e demais trabalhadores do local. “Sempre que eles falam conosco é ‘sim, senhor’ e ‘não, senhor’.

Outro detento que chama a atenção dos funcionários pela maneira de agir é Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, acusado de liderar sequestros na região de Campinas e morte do prefeito da cidade, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, em setembro de 2001.

– Quando há revista antes de alguma visita ou outra determinação, ele sempre fica encolhidinho, no canto da parede, olhando para baixo, parecendo estar com medo.

Além de Beira-Mar e Andinho, outros 51 criminosos estão no presídio. Entre eles, o chileno Maurício Hernándes Norambuena, acusado de liderar o sequestro do publicitário Washington Olivetto, esclarecido em fevereiro do ano passado, e Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Assaltante de bancos, Marcola é apontado pela polícia como mandante do assassinato do juiz-corregedor das Execuções Penais de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, ocorrido em 14 de março.

A Polícia Militar mantém o reforço da segurança nas proximidades do presídio de Presidente Bernardes, medida tomada desde o retorno de Beira-Mar.

Fortemente armados, policiais se revezam no trevo que dá acesso ao presídio. Além disso, rondas são feitas na área, além do centro da cidade. Todas as pessoas que passam pelo local são identificadas.