BC eleva projeções inflacionárias mas ainda assesta o centro da meta

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Publicado sexta-feira, 25 de setembro de 2009 as 13:17, por: cdb

O Banco Central manteve seu prognóstico para a economia brasileira neste ano e elevou suas projeções para a inflação em 2009 e 2010, mas ambas seguem abaixo do centro da meta de inflação perseguido pelo governo, mostrou o Relatório Trimestral de Inflação do terceiro trimestre divulgado nesta sexta-feira. Analistas disseram que as previsões piores de inflação dão suporte às altas do mercado de juros futuros, mas não preocupam e não levam a revisões para cima nas perspectivas para Selic, já que a inflação continua em linha com o centro da meta.

Segundo o BC, o cenário econômico baseia-se no fato de que indicadores do terceiro trimestre sugerem aceleração do crescimento satisfatório tido nos três meses anteriores e leva em conta os impactos do processo de flexibilização monetária e estímulos fiscais. O de inflação incorpora, em parte, os impulsos fiscais. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano permaneceu em expansão de 0,8%.

“A evolução de importantes indicadores setoriais, no decorrer do terceiro trimestre do ano, sugere aceleração do ritmo de crescimento da atividade”, disse o BC, citando dados de confiança do consumidor e do empresário e de produção industrial.

A previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano subiu de 4,1% no relatório do segundo trimestre para 4,2%. Para a inflação do ano que vem, a projeção aumentou mais fortemente, de 3,9 para 4,4%. O BC vê a inflação acelerando para 4,6% nos dois primeiros trimestres de 2011 e recuando para 4,5% no terceiro.

“A elevação da projeção de inflação no segundo semestre de 2010 e no primeiro de 2011 em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade. O recuo da projeção no terceiro trimestre de 2011 reflete a expectativa de que ao menos em parte esses estímulos fiscais sejam retirados a partir do segundo semestre de 2010”, afirmou o BC.

O BC enfatizou também que a desaceleração da inflação brasileira ao consumidor decorrente da crise financeira foi modesta se comparada a outras economias, devido à persistência de mecanismos de indexação de preços e salários.

Inflação

O mercado de juros futuros iniciou o dia em forte alta devido ao cenário pior de inflação, mas analistas mantiveram seus cenários. Zeina Latif, economista-chefe do ING, não mudou sua visão de um aperto monetário começando apenas em julho de 2010, totalizando 1,5 ponto percentual de alta naquele ano, e sua previsão de inflação de 4,5% neste ano.

– Para a gente ter um desvio significativo da meta, tinha que ter uma dinâmica pior de câmbio ou de commodities, que não é o caso…. Vejo uma alta na Selic na linha de uma normalização, de uma linha fina da política monetária, e não na linha de forçar convergência de inflação para o centro – afirmou.

Ela disse que as novas projeções de preços do BC não refletem os dados correntes benignos porque eles têm impacto no curto prazo, e que o foco ficou na recuperação econômica.

– (A alta) deve-se a hiato do produto, uma vez que a gente está falando de uma recuperação forte da economia e de um monte de efeito de política monetária ainda para acontecer – acrescentou.

Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, lembra que o cenário econômico do BC é melhor que o do mercado, o que pode significar mesmo inflação mais alta. Segundo o Focus, o mercado estima estabilidade do PIB neste ano.

– A simulação aponta para o cumprimento da meta em 2009 e nos dois anos seguintes. E é importante levar em conta que o BC está com um PIB bem mais forte que o do mercado. Acreditamos que o cenário para um movimento agressivo e antecipado (da alta na Selic) perde grande parte de seu apelo – disse ele.

A perspectiva do BC para a economia em 2009 inclui revisões para a formação bruta de capital fixo, de queda de 5,1% para recuo de 10,7%, e do consumo das famílias, de alta de 1,5 para 2,5%. O prognóstico para o consumo do governo permaneceu em alta de 2,8%. A perspectiva para o PIB industrial no ano é de queda de 3,3% e para o agropecuário é de baixa de 1,2%. O BC vê crescimento dos serviços, em 2,7%.