BC atuará no câmbio só em caso de extrema necessidade

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Publicado quarta-feira, 12 de dezembro de 2001 as 21:19, por: cdb

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, anunciou na noite desta quarta-feira que – a partir de janeiro de 2002 – o BC voltará a atuar no mercado de câmbio à vista somente nos momentos de alta volatilidade e de baixa liquidez. “Voltaremos a fazer o que sempre fizemos”, afirmou.

Ele acrescentou que até o final deste ano a mesa de câmbio do BC continuará vendendo diariamente US$ 50 milhões até completar os US$ 6 bilhões anunciados em julho passado. “Essa política de venda diária de dólares cumpriu o seu objetivo, que era o de apoiar o balanço de pagamentos no segundo semestre deste ano, e já não há mais sentido mantê-la”, afirmou Figueiredo.

Sobre a possibilidade de o BC vir a atuar no mercado de câmbio futuro, o diretor do BC disse que por enquanto não há intenção de se colocar essa idéia em prática.

Já o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, anunciou que o governo poderá fazer no mercado externo, em 2002, captações de até US$ 5 bilhões. Segundo o diretor, os vencimentos de compromissos externos do setor público no ano que vem são de US$ 2,9 bilhões.

Gleizer informou que, ao contrário de 2000 e 2001, o BC resolveu agora não anunciar um intervalo de captações. Isso porque, com a operação realizada com as chamadas “polonetas”, o Brasil já captou US$ 2,5 bilhões, o que, segundo ele, acaba funcionando como “um piso” para as captações externas em 2002. “Os recursos que ingressaram com a operação das polonetas já são quase a totalidade da necessidade de rolagem de 2002.”

Em 2001, segundo o diretor, as captações externas somaram, até agora, US$ 6,8 bilhões, além de um ingresso de US$ 500 milhões, fruto da liberação de garantias registradas no lançamento do papel BR-2024 e da operação das polonetas. O intervalo de captações externas definidas pelo BC para 2001 havia sido de US$ 5 bilhões a US$ 7 bilhões.

Gleizer destacou que o limite de captações estabelecido para 2002 inclui apenas as chamadas operações “puras”, ou seja, não abrange o retorno de garantias, caso sejam feitas trocas de papéis no ano que vem.

O diretor de Assuntos Internacionais informou que a primeira parcela de US$ 200 milhões do empréstimo concedido pelo BID ao Brasil poderá entrar no País ainda este ano. O valor total do empréstimo é de US$ 500 milhões. A segunda parcela, de US$ 300 milhões, ingressará até o final do primeiro trimestre de 2002. Segundo Gleizer, esses recursos irão direto para as reservas internacionais (sem passar pelo mercado) e serão utilizados para projetos na área social.