Base aliada articula CPI do cartão de crédito, oposição desconfia

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Publicado quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 as 18:41, por: cdb

O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, defendeu a criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar gastos em cartões de crédito corporativos e a chamada “conta B”, utilizada para suprimento de fundos desde antes da criação do cartão, em 2001. Ele rebateu a afirmação de parlamentares oposicionistas que a proposta da base governista represente alguma forma de manobra do Executivo.

– Não tem manobra alguma. É uma iniciativa do Legislativo. É uma iniciativa para esclarecer. E tudo que seja para esclarecer é ótimo – disse.

Nesta quarta-feira, primeiro dia de atividade legislativa em 2008, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), dedicou-se a colher assinaturas para a CPI. Ele diz já ter 28 assinaturas (são necessárias 27, número equivalente a um terço dos senadores) e que vai protocolar a criação da CPI, nesta quinta.

Desde a semana passada, quando a questão dos gastos com o cartão corporativo levou à demissão da ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, a oposição fala de investigar o assunto no Congresso. Mas o próprio governo resolveu tomar a iniciativa.

– A CPI não seria necessária, mas pior do que fazer a CPI é ficar uma nuvem pairando em cima do governo como se o governo tivesse algo a esconder, tivesse algum comprometimento, tivesse feito alguma questão errada, como inclusive estavam levantando questões ligadas à família do presidente (Lula). Como o governo não tem o que esconder, vamos fazer a CPI e vamos averiguar – disse Jucá.

O objeto de investigação da CPI, segundo Jucá, serão todos os gastos desde 1998 em suprimentos de fundos, adiantamentos e cartões corporativos.

– Quem estiver errado que pague – afirmou.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que propõe a criação de uma comissão mista envolvendo deputados e senadores (CPMI), criticou a iniciativa dos governistas. “É uma manobra do governo para evitar a apuração séria dos gastos com os cartões, o intuito é de manobra e assusta. Vamos continuar colhendo assinaturas para uma CPI mista”.

Álvaro Dias (PSDB-PR), vice-líder tucano no Senado, afirmou que o governo deseja criar uma “fábrica de pizza”. A oposição sugere iniciar a investigação em 2002, quando teve início o uso do cartão corporativo, criado em 2001.

– Não há como concluir uma CPI dessa natureza com resultados visíveis para a população. Se o PT identificou irregularidades naquele tempo (antes de 2002), por que não propôs a instalação da CPI quando era oposição? Por que deseja investigar só agora? Aliás, o senador Romero Jucá foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso. Ele poderia dar todas as explicações que fossem necessárias agora – disse o parlamentar, que considera o objeto da investigação “uma coisa confusa”, com período longo.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara, argumentou que “as contas tipo B tinham uma transparência muito menor que os cartões corporativos”. Lembrou também que tudo que está sendo publicado pela imprensa nos últimos dias tem como fonte o Portal da Transparência, que é do governo, da Controladoria-geral da União (CGU). Ele indagou se é justo suspender discussões “importantes” e “concretas” como a da reforma tributária por causa da “batalha política” entre oposição e governo.