Barack Obama e Romney duelam de novo em campanha de debates memoráveis

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Publicado segunda-feira, 22 de outubro de 2012 as 10:45, por: cdb
os dois candidatos abordarão questões de política externa durante 90 minutos na Universidade Lynn

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o adversário republicano, Mitt Romney, se enfrentam nesta segunda-feira pela terceira e última vez diante das câmeras, aproximando-se do fim de uma campanha marcada por debates memoráveis.

A 15 dias da eleição presidencial norte-americana de 6 de novembro, os dois candidatos abordarão questões de política externa durante 90 minutos na Universidade Lynn, em Boca Raton (Flórida). O evento começa às 23h (de Brasília), e terá mediação do jornalista Bob Schieffer, da rede CBS.

Debates entre candidatos a presidente geralmente influenciam pouco no resultado, mas este ano, com uma disputa excepcionalmente acirrada, tem sido uma exceção.

Romney se recuperava de uma série de tropeços quando chegou ao primeiro debate, em 3 de outubro, em Denver. A boa apresentação do republicano alterou os rumos da disputa, empurrando-o para um empate técnico com o democrata Obama nas pesquisas.

Mas, depois da tímida apresentação inicial, Obama foi apontado como vencedor –ainda que por estreita margem do segundo debate, no dia 16 de outubro. O ponto marcante do encontro foi um momento tenso a respeito da situação na Líbia.

O segundo debate interrompeu a trajetória de queda da candidatura democrata nas pesquisas, mas não definiu o cenário. Pesquisa NBC News, Wall Street Journal mostrou, no domingo, os dois candidatos com 47%  das intenções de voto entre eleitores inclinados a votarem.

Durante as primárias republicanas, os debates já haviam marcado momentos cruciais. Num deles, o governador do Texas, Rick Perry, prometeu fechar três agências federais, mas não lembrava o nome de uma delas. O deslize marcou, na prática, o fim da pré-candidatura dele.

Já Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi um forte oponente de Romney durante os debates republicanos. Num deles, em janeiro, Gingrich atacou o moderador John King, da CNN, por lhe perguntar sobre um relacionamento extraconjugal do passado. Gingrich venceu as primárias da Carolina do Sul, dias depois.

Última chance

O debate nesta segunda-feira será a última chance para Romney e Obama serem vistos por milhões antes do dia da eleição. Mais de 60 milhões de espectadores assistiram a cada um dos dois encontros anteriores.

Não há favoritos. Romney, apesar da fama de desajeitado, já demonstrou a capacidade de se portar bem sobre o palco, quando a situação exige. Obama parece ter vantagem em questões de política externa, pois há quase quatro anos é o responsável pela segurança nacional dos EUA, e tem o crédito pela operação que resultou na morte de Osama bin Laden, e pela retirada das tropas norte-americanas do Iraque.

David Yepsen, diretor do Centro Paul Simon de Política Pública, na Universidade do Sul de Illinois, disse que Obama tem dois objetivos: mostrar que “não tem nada por que se desculpar na forma pela qual conduziu a política externa”, e questionar a inexperiência de Romney na política externa.

O analista disse que Obama pode pressionar o adversário a detalhar suas propostas a respeito de como os EUA devem se contrapor às políticas comerciais chinesas.

Para Romney, a principal tarefa será se apresentar como uma alternativa confiável a Obama no cenário internacional apagando a má impressão deixada por uma viagem a Londres, Jerusalém e Polônia, em julho, que foi marcada por tropeços.

Ao longo da campanha, Romney acusa Obama de ter permitido uma redução da influência norte-americana no exterior.

– Muitos eleitores estão prontos para demitirem Obama se virem Romney como uma alternativa aceitável – disse Yepsen. “A política externa não tem sido um grande motor desta campanha, mas acho que Romney pode ganhar uma cereja no bolo se as pessoas disserem: ‘Ei, esse cara está por dentro dos assuntos mundiais’.”

Num prenúncio do debate de segunda-feira, os dois candidatos trocaram duros ataques na semana passada por causa de incidentes ocorridos recentemente na Líbia.

Em 11 de setembro, uma multidão atacou o consulado norte-americano na cidade de Benghazi, matando o embaixador dos EUA e três outros funcionários diplomáticos. O governo Obama inicialmente disse que o ataque foi parte de um protesto islâmico, mas posteriormente descreveu o incidente como um atentado terrorista.

A hesitação na descrição do caso e o fato de Obama ter iniciado no dia seguinte uma viagem de arrecadação eleitoral deram a Romney uma munição que poderá ser novamente usada no debate da segunda-feira.

Mas críticos acusam Romney de lançar generalidades e platitudes — chegou a citar a doutrina da “paz por meio da força”, de Ronald Reagan. Ele pode ser posto na berlinda se novamente resistir em fornecer detalhes específicos de suas propostas.

Romney promete uma posição mais dura em relação ao programa nuclear dos EUA. Também acusa Obama de “liderar da retaguarda” a comunidade internacional diante da guerra civil síria, e de buscar um momento politicamente favorável para encerrar a impopular guerra do Afeganistão.

O republicano provavelmente citará informações de que EUA e Irã concordaram em manter negociações bilaterais sobre o programa nuclear iraniano.

O debate será dividido em seis segmentos: o papel dos EUA no mundo; a guerra no Afeganistão; Israel e Irã; as mudanças no Oriente Médio; terrorismo; e a ascensão da China.