Bancos têm 3.000 milhões de euros de casas penhoradas

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Publicado terça-feira, 27 de setembro de 2011 as 10:50, por: cdb

A banca que actua em Portugal tem 3.000 milhões de euros de casas penhoradas, na sua maioria entregues por promotores imobiliários. Os bancos têm ainda mais 2.000 milhões de euros de crédito mal-parado na habitação, que tem vindo a agravar-se.Artigo |26 Setembro, 2011 – 15:33A banca tem 3.000 milhões de euros de casas penhoradas, mais 2.000 milhões de crédito mal parado na habitação – Foto de Paulete Matos

No final de Junho, os seis maiores bancos que actuam em Portugal tinham em sua posse casas penhoradas num montante estimado em mais de 3.000 milhões de euros. Em primeiro lugar, destaca-se o BCP que detinha imóveis penhorados num montante avaliado em 1.180 milhões de euros, seguindo-se o BES com 751,9 milhões de euros, a CGD com 549,6 milhões de euros, o Montepio com 282,3 milhões de euros, Santander Totta com 152,6 milhões e BPI com 122,6 milhões de euros.

Segundo a notícia do jornal “Diário Económico” desta segunda feira, estas casas que a banca possui provêm essencialmente de promotores imobiliários. Em declarações ao jornal o presidente da Associação dos profissionais e empresas de mediação imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, realça: “Este crescimento deve-se sobretudo à entrega de imóveis ao banco pelos promotores/construtores e não de particulares. Observamos isso precisamente no primeiro semestre deste ano. Tudo isto deve-se à situação económica do país em que muitos promotores não conseguem nem vender, nem financiar e por isso são cada vez mais obrigados a entregar os imóveis aos bancos”.

Para além das casas penhoradas, existem ainda mais de 2.000 milhões de euros de crédito mal parado na habitação.

Um analista de mercado, sublinha ao jornal: “O mais preocupante não é o número em si [5.000 milhões de euros], mas sim o facto dos bancos incorrerem em perdas quando vendem estes imóveis. E dado o ‘stock’ que têm, os bancos vão ter de vender mais, o que vai pressionar o preço e aumentar as imparidades”.

Dos 3.000 milhões de euros em casas que tem em sua posse, a banca estima já perdas no montante de 585 milhões de euros. Este valor tende a aumentar significativamente, sobretudo com a falta de pagamento do crédito à habitação, que tende a agravar-se com o aumento do desemprego e o crescimento das dificuldades da maioria das famílias devido à nefasta política de austeridade.