Banco Mundial diz que Brasil também terá que renegociar o perfil da dívida

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Publicado quarta-feira, 31 de outubro de 2001 as 19:26, por: cdb

Para o Banco Mundial (Bird) o Brasil também será obrigado a reestruturar o perfil de sua dívida externa e o cronograma de pagamentos acertados com o FMI. Além da Argentina, segundo a diretoria do banco, estas medidas tornam-se necessárias devido à queda de confiança dos investidores – em função do contágio da crise argentina no Brasil, e das incertezas causadas pelas eleições presidenciais do ano que vem.

“Embora as reduções das taxas de juros nos Estados Unidos ajudem a aliviar o pagamento do serviço da dívida, as percepções de risco (nesses países) permanecem elevadas, em parte, devido à visão de que uma reestruturação da dívida pode ser necessária, como ocorreu com o Equador em 1999”, diz um trecho do informe “Perspectivas da Economia global”, divulgado nesta quarta-feira em Washington.

A redução dos fluxos de capital, segundo o banco, reduziram a capacidade da Argentina e do Brasil em rolar as suas dívidas. No caso argentino, isso deverá fazer com que a recuperação de sua economia seja modesta. E, no caso brasileiro, “o contágio dos eventos na Argentina está reduzindo o espaço para a aplicação de políticas contra-cíclicas, apesar do pacote de US$ 15,58 bilhões do FMI”, diz o estudo.

Além disso, diz o Bird, as eleições presidenciais do próximo ano poderão ser um outro fator para restringir a volta da confiança dos investidores e da aceleração do crescimento.

Malan nega reestruturação

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu hoje que o Brasil não irá reestruturar ou renegociar a dívida externa. O ministro disse que desconhece relatório do Banco Mundial (Bird), que teria sido divulgado, apontando que o Brasil teria que renegociar sua dívida externa, a exemplo da Argentina.

Segundo Malan, é importante observar que boa parte dos quase 9 mil funcionários do Banco Mundial têm como função a elaboração de estudos para discussão interna sobre diversos assuntos. “Muitas vezes esses trabalhos chegam aqui (no Brasil) com status de um relatório aprovado pela diretoria do Banco Mundial”, disse. “Eu não acredito nisso. Essa não é a visão do Banco Mundial”, afirmou o ministro, lembrando que conheçe “muito bem a instituição”, já que foi representante do Brasil no Bird.

FMI
Ele negou mais uma vez que o governo brasileiro esteja negociando com o Fundo Monetário Internacional (FMI) recursos complementares ao montante de US$ 15,6 bilhões liberados para o Brasil no último acordo firmado em agosto. “Não estamos negociando no momento nenhuma adição de recursos. Temos US$ 11 bilhões disponíveis para serem utilizados até o final do próximo ano, caso seja necessário”, disse.

Malan frisou que nenhuma autoridade do governo brasileiro discutiu qualquer tipo de pedido de ampliação de recursos com funcionários ou a diretoria do FMI. O ministro afirmou que as notícias que circularam sobre um possível novo empréstimo de US$ 10 bilhões ao Brasil, caso a Argentina entrasse em moratória, são “especulações às quais estamos acostumados e ouvimos dezenas de vezes aqui”.

Malan também afirmou que não conversou, nos últimos dias, com o ministro argentino Domingo Cavallo.