Bancários mantêm greve em todo o país

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Publicado domingo, 19 de setembro de 2004 as 18:35, por: cdb

Continua nesta segunda-feira a greve dos bancários em todo o país. Em assembléias realizadas na noite de sexta-feira, os trabalhadores que já estavam parados decidiram permanecer em greve por tempo indeterminado. Em Brasília, os bancários reunidos na tarde deste domingo concordaram em manter a paralisação iniciada na última quarta-feira e traçaram a estratégia do movimento para o início da semana.

Nesta segunda, eles vão reforçar os piquetes nas entradas dos edifícios sedes 1, 2 e 3 do Banco do Brasil e nas principais agências dos bancos Bradesco e Itaú. Na terça-feira, os bancários pretendem promover uma grande passeata pelos principais pontos da cidade. Na assembléia desta tarde, o presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Jacy Afonso de Melo, orientou os grevistas para que os piquetes não impeçam o acesso de clientes às agências bancárias.

Segundo ele, o Banco do Brasil, o Bradesco e o Itaú já conseguiram liminares contra o sindicato, que estaria impedindo o acesso e prejudicando o atendimento aos clientes. A liminar prevê multa de R$ 10 mil por agência onde o livre acesso do cliente for impedido pelo movimento grevista.

Em Brasília, a paralisação, que atinge cerca de 95% das agências do Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, ganhou a adesão de vários bancos privados. Os grevistas querem a reabertura das negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Eles reivindicam reposição da inflação com aumento real de 17,68% e a participação nos lucros das instituições financeiras.

Na última sexta-feira, cerca de 200 mil bancários – quase metade da categoria – cruzaram os braços em todo o país, segundo a Confederação Nacional dos Bancários (CNB). 18 capitais aderiram à mobilização, iniciada na última terça-feira em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Florianópolis. O movimento também cresceu no interior do país, especialmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. No final do dia, CNB/CUT e o Sindicato dos Bancários de São Paulo enviaram ofício à Fenaban reforçando a rejeição da proposta e solicitando a reabertura das negociações.

Os bancários reivindicam reposição da inflação mais aumento real de 17,68% e participação nos Lucros e Resultados de um salário mais R$ 1.200. Os banqueiros oferecem reajuste salarial de 8,5% mais R$ 30 para quem ganha até R$ 1.500 – o que representa reajuste de até 12,77% e aumento real de 5,75%.

Para os que ganham acima de R$ 1.500, o reajuste sugerido é de 8,5%, assim como para as demais verbas de natureza salarial como vales alimentação, refeição e auxílio-creche. A proposta prevê Participação nos Lucros e Resultados de 80% do salário mais R$ 705 e pagamento de vale-alimentação extra de R$ 217.