Bancários aderem à greve geral na Venezuela

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Publicado quarta-feira, 8 de janeiro de 2003 as 21:18, por: cdb

Os funcionários de bancos da Venezuela decidiram entrar em greve por dois dias a partir desta quinta-feira, aumentando a pressão sobre o presidente Hugo Chávez.

Os bancos no país já haviam diminuído suas horas de operação de seis para três por dia durante a greve geral no país, que está em seu segundo mês.

A greve geral é organizada pela oposição, que acusa o presidente Chávez de incompetência administrativa e autoritarismo, e está pedindo sua renúncia.

Durante a greve, a produção de petróleo da Venezuela, o quinto maior exportador mundial, foi bastante reduzida.

Protestos

Agora, os bancários ligados ao sindicato Fetrabanca decidiram cruzar de vez os braços na quinta-feira e na sexta-feira.

Nesta quarta-feira, a guarda nacional venezuelana usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar simpatizantes de Hugo Chávez, que estavam realizando um violento protesto em frente ao Conselho Nacional Eleitoral.

Líderes de oposição estavam reunidos no prédio do conselho para uma entrevista coletiva com jornalistas.

Na terça-feira, outras dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações nas ruas da capital do país, Caracas, prometendo se recusar a pagar impostos em protesto contra Chávez.

“Este governo usa nosso dinheiro para reprimir as pessoas”, disse um dos manifestantes, Luis Carlos Bustillos, ouvido pela agência de notícias Associated Press.

“Isso (o fato de não pagar impostos) deve provocar caos por alguns meses, mas é melhor do que uma vida inteira de caos”, completou.

Referendo

Membros das forças de segurança venezuelanas permaneceram guardando o prédio da Receita venezuelana, mas não houve violência.

A greve geral começou em 2 de dezembro, com o objetivo de afastar Chávez do poder ou forçá-lo a realizar um referendo sobre sua permanência na presidência.

Chávez, porém, diz que não irá convocar o referendo antes do estabelecido pela lei do país.

Segundo a Constituição venezuelana, o referendo não pode ocorrer antes do presidente ter cumprido pelo menos metade de seu mandato – ou seja, até agosto.