Bananas estão correndo risco de sumir da face da Terra

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Publicado quinta-feira, 16 de janeiro de 2003 as 12:56, por: cdb

A banana pode desaparecer da face da Terra dentro de dez anos. A previsão, publicada hoje na revista “New Scientist”, é de um grupo de cientistas da Inibap (International Network for the Improvement of Banana and Plantain), órgão sediado em Montpellier, França.

Emile Frison, belga que comanda a pesquisa, afirma que os responsáveis pela ameaça são fungos e outros tipos de peste. Como a banana que comemos não produz sementes –o que impede variação genética–, os cientistas prevêem um possível final tráfico para o fruto, assim como já aconteceu há décadas com alguns tipos de batata.

Entre as ameaças, o cientista destaca o chamado “mal-do-Panamá” –fungos que afetam o solo e já devastaram plantações inteiras de banana maçã nos anos 1950–, a “sigatoka negra” –outra doença causada por fungos que já é considerada epidemia– e outros tipos de peste que atualmente afetam plantações na América Central, na África e na Ásia.

O Brasil é o terceiro produtor mundial de banana, com uma produção aproximada de 5,92 milhões de toneladas, em uma área cultivada de 528 mil hectares, segundo dados de 2000 reunidos pela FAO (Food and Agriculture Organization), órgão das Nações Unidas.

Transgênicos

O uso de fungicidas tem se mostrado ineficaz no tratamento. “Assim que você começa a usar um novo pesticida, eles [os fungos, em especial o da “sigatoka negra”] desenvolvem resistência”, afirmou Frison à revista.

Um consórcio global de cientistas chefiados por Frison anunciou há um ano planos para sequenciar o genoma da banana. O processo, segundo ele, deve levar cerca de cinco anos. A manipulação dos genes poderia tornar a banana imune aos fungos.

Encontrar financiamento, no entanto, tem sido difícil. Ainda mais por parte dos grandes produtores, que temem afastar os consumidores com uma “banana transgênica”.

Frison insiste. Para ele, a pesquisa ajudaria a desenvolver bananas para a África, onde o consumo do fruto é, segundo a “New Scientist”, 50 vezes maior que em qualquer nação do hemisfério norte.

“O objetivo do genoma da banana seria aumentar a variedade do fruto de que os africanos dependem para sua sobrevivência, e não criar bananas para as prateleiras dos supermercados”, disse.