Balé de São Paulo é sucesso na Europa

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Publicado segunda-feira, 3 de maio de 2010 as 19:27, por: cdb

Sucesso na tournée européia do Balé da Cidade de São Paulo, que começou na Suíça e se prolonga pela França, Holanda e Alemanha, antes do retorno ao Brasil, dia 14, a tempo de participar da Virada Cultural no domingo 16, em São Paulo, diante da Pinacoteca.
A apresentação no Teatro Municipal de Berna, capital suíça, mereceu standing ovation do público que lotava o local.

Essa é a décima tournée européia do consagrado Balé paulistano, de onde saíram bailarinos e coreógrafos brasileiros que fizeram ou que fazem ainda sucesso em Genebra, Berna, Zurique e na Alemanha, como Sonia de Melo (com escola de balé em Berna), Antônio Gomes (coreógrafo e ex-dançarino do Balé de Genebra).

O programa em Berna constou das coreografias Dicotomia, do vice-diretor do Balé da Cidade de São Paulo, Luiz Fernando Bongiovanni; Previsto, de Alex Soares, também bailarino do Balé paulistano; e Canela Fina, do espanhol Cayetano Soto, com o palco e os bailarinos envoltos em pó de canela, cujo cheiro chegava aos espectadores.

A tournée suíça, que inclui diversas cidades, foi patrocinada pelo programa cultural de mais importante rede de supermercados suíça, o Migros, um incentivo que permite ingressos mais baratos para o grande público.

Criado em 1968, o Balé da Cidade de São Paulo goza de prestígio na Europa, tendo vivido, no passado, alguns momentos de crise como na época de Janio Quadros, que cortou suas verbas, proibiu tournées e demitiu os bailarinos homossexuais. A atual tournée pela Europa foi programada pela ex-diretora Mônica Mion, ex-bailarina do grupo, substituída nestas últimas semanas por Lara Pinheiro.

Para a tournée, o Balé da Cidade de São Paulo recebeu 26 passagens, o que não permitiu embarcar toda a troupe, mas apenas 23 e três técnicos. Na Suíça, o festival de dança Steps programou o Balé paulistano em diversas cidades, tendo em vista o grande sucesso alcançado, há dois anos, na única apresentação em Zurique.

Um veterano

Entre os participantes do grupo, um veterano ex-dançarino e ex-coreógrafo, agora maitre de balé, o argentino Hugo Travers, cuja vida dedicada à dança, sua paixão maior, começou numa idade considerada tardia, 20 anos.

Filho de militar, havia, na sua época, um enorme preconceito que impedia aos homens ingressar no balé, o que provocou seu atraso no aprendizado da dança, porém recuperado com uma dedicação plena, logo depois de terminado seu serviço militar.

Hugo dançou nos países comunistas, na Rússia e na China, e ficou cinco anos no Irã, na época da modernização do Xá. A seguir, foi dançar em Stutgart, quando ali também começava Márcia Haydée. Retornando à Argentina, fez parte do grupo de Oscar Arrais, que o levou à família Pederneira, com os quais fundou o grupo Corpo, que deixou, depois de nove anos, para integrar o Balé da Cidade de São Paulo.

Dirigindo o balé durante a tournée, o coreógrafo e vice-diretor do grupo, Luiz Fernando Bongiovanni, contou também ter começado tarde a dança, à qual depois de entregou por tempo integral. Sua ida ao Balé paulistano ocorreu depois de uma fase européia, inclusive em Zurique, onde viveu três anos.

Laura Ávila é uma jovem carioca, que dança desde criança, feliz por ter chegado ao Balé da Cidade de São Paulo mas com muitos planos na cabeça. Mesmo se o balé exige um vida de sacrifício, « quando acordo de manhã sem dor no meu corpo até me surpreendo ». Outro jovem dançarino é Woody William Santana, paranaense, que começou também aos 18 anos e se encontrou com a dança na época de cursinho para o vestibular.

Todos eles destacam a carreira da dança como exigindo muita disciplina, dedicação plena e muito sacrifício, principalmente das bailarinas. Hugo Travers conta como num levantamento de uma bailarina, em Bagdá, sofreu um problema na vértebra que lhe exigiu ficar engessado seis meses e mais outros seis meses de reeducação do corpo.