Baixo comparecimento eleitoral pode prejudicar Berlusconi

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Publicado segunda-feira, 29 de março de 2010 as 12:18, por: cdb

Descontentes com o atual clima de disputa política, muitos italianos deixaram de votar na eleição regional de domingo e segunda-feira, o que pode prejudicar os candidatos ligados ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

– Estamos todos um pouco enojados. Não tenho muita opinião, mas está claro que eles falaram pouco de conteúdo e muito de disputa política, o que não agradou ninguém – disse o eleitor romano Armando Rizzo.

A votação em que mais de 41 milhões de eleitores estavam aptos a escolherem 13 dos 20 governadores regionais, quatro chefes provinciais e os vereadores de quase 500 cidades era considerada um termômetro do apoio popular a Berlusconi, há dois anos no cargo.

O magnata da mídia mergulhou de cabeça na campanha, conclamando seus seguidores a não repetirem na Itália o baixo comparecimento eleitoral das eleições regionais francesas deste mês, cujo resultado foi ruim para o presidente Nicolas Sarkozy.

No domingo, o comparecimento às urnas foi 9% inferior ao do primeiro dia da eleição regional de cinco anos atrás, quando 71,5% dos eleitores registrados compareceram às sessões. O fim da votação está previsto para as 15h de segunda-feira (10h em Brasília).

Os institutos de pesquisa dizem que o eleitorado sente que, durante a campanha, os políticos não apresentaram propostas convincentes para a sua maior preocupação, a questão do emprego. A campanha acabou sendo dominada por disputas partidárias e por um escândalo de corrupção envolvendo um funcionário do governo Berlusconi.

Após um 2009 turbulento para o primeiro-ministro –marcado por um divórcio, um escândalo com prostitutas, ameaças judiciais e até uma agressão em praça pública–, ele agora está sendo investigado por supostamente tentar tirar do ar programas de entrevistas críticos ao governo.
Na avaliação dos institutos de pesquisa, um baixo comparecimento eleitoral será ruim para o partido Povo da Liberdade, de Berlusconi.

O eleitor romano Marco Stella deu à Reuters a seguinte explicação para o baixo comparecimento: “Está claro que as pessoas estão fartas de todos esses jogos políticos.”
As pesquisas apontam que a centro-direita deve manter o controle das regiões da Lombardia e do Vêneto, no próspero norte italiano, além de conquistar a Calábria e possivelmente a Campania, no sul.

A centro-esquerda deve manter pelo menos cinco regiões, sendo quatro delas em seu tradicional reduto industrial no centro do país – Emilia Romagna, Toscana, Úmbria e Marche – além da Basilicata, no sul.

Quatro outras regiões, inclusive Piemonte (norte) e Lacio (centro, onde fica Roma), estão indefinidas.