Baixa de juros ainda não chegou ao bolso do consumidor

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Publicado segunda-feira, 12 de maio de 2003 as 01:29, por: cdb

Os avanços ainda não foram sentidos pelo bolso do consumidor. Apesar de todos os sinais recentes de melhora no mercado financeiro, ainda falta um pouco para que a recuperação possa chegar ao consumidor brasileiro.

Indicadores financeiro vem registrando nas últimas semanas os melhores índices desde antes da crise do ano passado. Há até números batendo sucessivos recordes históricos, como a cotação dos títulos brasileiros mais negociados no mercado mundial, os C-Bonds.

Mas isso não basta. Os juros continuam altos e a economia ainda não melhorou a ponto de chegar ao dia-a-dia das pessoas.

Segundo economistas esse acontecimento tem duas causas: a inflação não caiu tanto quanto o esperado pelo Banco Central e o País não recuperou o crédito de médio e longo prazo.

– O Brasil é como um paciente que sofria de uma doença crônica e já está melhor – diz o diretor de pesquisa para a América Latina da consultoria norte-americana Ideaglobal, Ricardo Amorim.

– Mas ainda não está na hora de sair do hospital. E, se o doente quiser sair antes da hora, poderá ter uma recaída – completa.

– O dinheiro que está voltando para o Brasil por enquanto ainda é aquele que fugiu e percebeu que se assustou de graça – diz o diretor de instituições financeiras do Unibanco, Carlos Catraio.

– Ele volta primeiramente em empréstimos de curto prazo ou para o financiamento de atividades que não sejam de alto risco, como o crédito comercial. Esses são os primeiros indicadores de que estamos rumando para um ciclo virtuoso. Mas os prazos têm de se alongar e os recursos têm de vir não só para o comércio – completa.

Para que a recuperação financeira do Brasil apareça na economia real, os juros básicos precisam começar a cair. Para tanto, até a última reunião do Comitê de Política Monetária do BC, a queda da inflação ainda não havia sido suficiente, segundo disseram os diretores do BC na ata do encontro em que decidiram manter a taxa básica em 26,5%.