Bagdá sofre novos bombardeios

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 08:14, por: cdb

Bagdad amanheceu ensolarada e sob intermitente som das sirenas de alarme antiaéreo. Depois de uma noite de bombardeios em escala nunca vista, e que devastou prédios governamentais e transformou em ruínas dois palácios de Saddam Hussein, a capital iraquina ouviu esporádicas explosões e as ruas tinham aspecto de cidade fantasma.

Enquanto as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos lançaram mil e quinhentos mísseis e bombas em Bagdá nas últimas 24 horas, as tropas terrestres enfrentam a resistência iraquiana em pelo menos duas localidades.

Nas proximidades da cidade de Nasiriya – a um terço do caminho de Badgá a partir da fronteira do Kuwait – a 3ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos luta contra a resistência iraquiana pelo controle de uma base áerea de Saddam Hussein.

No sudeste, a coalizão obteve na manhã de sábado avanços na cidade portuária de Umm Qasr, com a rendição de soldados iraquianos. Uma correspondente da BBC no local, no entanto, disse que o controle americano e britânico ainda não é total. Na sexta-feira, os americanos anunciaram que tinham controlado completamente o local.

O Pentágono informou que soldados iraquianos continuam se rendendo em todo o país, e que as tropas terrestres da coalizão já avançaram cerca de 160 quilômetros em território iraquiano.

Palácio presidencial

Depois de duas séries de intensos bombardeios na sexta-feira, a capital do Iraque voltou a ser alvo de ataques aéreos nas primeiras horas da manhã deste sábado (horário local).

Durante os bombardeios massivos do dia anterior, grandes explosões e muita fumaça indicaram o grau dos estragos provocados pela ofensiva descrita pelas autoridades americanas como “choque e pavor”.

Em meio aos ataques aéreos, o Pentágono afirmou que uma divisão inteira do Exército iraquiano teria se rendido às forças da coalizão no sul do Iraque.

De acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a 51ª Divisão de Infantaria do Iraque se rendeu aos fuzileiros americanos que avançavam em direção à cidade de Basra, a segunda maior do país.

O número exato de soldados que teriam entregado as armas não foi confirmado, mas relatos indicam que a divisão teria 8 mil combatentes iraquianos.

O governo americano afirmou que as rendições são um sinal de que o regime iraquiano está “desmoronando”.

“O regime (iraquiano) está começando a perder o controle de seu país”, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld.

Rumsfeld declarou que o objetivo dos intensos bombardeios em Bagdá foi mostrar aos iraquianos que Saddam Hussein não tem mais poder sobre o que acontece no Iraque.

Mísseis e alvos

Os aviões de combate que participaram dos ataques a Badgá partiram de mais de 30 bases em 12 países e cinco porta-aviões.

De acordo com Paul Wood, repórter da BBC em Bagdá, os alvos dos disparos americanos incluiram alguns dos palácios presidenciais de Saddam Hussein.

Escritórios do Ministério de Relações Exteriores e do vice-primeiro-ministro do Iraque também foram atingidos durante os bombardeios.

No norte do Iraque, as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos também bombardearam as cidades de Mosul e Kirkuk, onde as tropas americanas tentam tomar o controle de grandes campos de petróleo.

Em imagens exibidas pela televisão local, o ministro de Informação do Iraque, Mohammed Saeed Al-Sahhaf, circulou pelas ruas de Bagdá e descreveu os ataques aéreos como obras de “criminosos”.

Em uma outra reportagem, a televisão estatal do Iraque afirmou que a rendição de soldados à coalizão liderada pelos Estados Unidos é uma “farsa”.

Apesar do avanço americano, Adam Mynott, repórter da BBC no sul do Iraque, afirma que ainda há três redutos de resistência iraquiana em Umm Qasr.

O porto da cidade, o único do Iraque em águas profundas, é considerado crucial para garantir o suprimento à população civil iraquiana.