Aznar entra em plena campanha para as eleições locais e regionais

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Publicado quinta-feira, 22 de maio de 2003 as 18:33, por: cdb

Com a realização de eleições locais e regionais no próximo domingo, o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, tem participado dos comícios em todo o país em uma tentativa de evitar que seu partido sofra as conseqüências do apoio dado por seu governo aos EUA na guerra contra Bagdá.

O mandatário parece estar levando estas eleições muito a sério, apesar de ter anunciado há muito tempo que não será candidato nas eleições gerais do próximo ano. Aznar participou de até três comícios diários.

O presidente, de 50 anos, deixou milhões de espanhóis enfurecidos por ter apoiado a guerra no Iraque. Sua popularidade foi caindo a passos largos, conforme avançava a guerra no Iraque, até chegar a 31% – e, pela primeira vez desde que foi eleito em 1996, os partidos de oposição o superaram em popularidade.

Milhões de cidadãos saíram às ruas da Espanha em protesto contra o apoio de Aznar aos EUA.

A pesquisadora Josefina Elias disse que a estratégia de Aznar é a de arrependimento e pode ser resumida assim:

– Adotei decisões que foram muito impopulares, mas creio que foi o apropriado. Por favor, perdoem-me e votem nos candidatos de meu partido.

Uma sondagem publicada no fim de semana passado pelo Instituto Opina de Elias indica que na corrida eleitoral pela prefeitura de Madri, 51,8% dos interrogados acham que a guerra não influenciará seu voto e 41,1% acham que sim, influenciará.

Segundo Elias, a ânsia de Aznar em evitar a derrota de seu partido nas eleições municipais levou o presidente a deixar em segundo plano durante alguns comícios os próprios candidatos de seu partido.

Os líderes da oposição, ao verem o envolvimento de Aznar, também tenderam a eclipsar os candidatos que lutam contra o governista Partido Popular, acrescentou a pesquisadora.

Charles Powell, um historiador e analista político que conhece pessoalmente Aznar, acha que a decisão do governante de apoiar a guerra foi uma cruzada pessoal dele, e que tal postura não “pegou bem” entre vários membros de sua própria agremiação.

Agora, diz Powell, Aznar tenta redimir-se perante seus próprios companheiros.

– Estes são os últios resultados que serão atribuídos ao desempenho de Aznar em seu cargo. Portanto, Aznar não quer ser lembrado pela história como um perdedor – disse Powell, um professor da universidade madrilena de San Pablo-CEU.

Nas eleições do próximo domingo serão escolhidos os prefeitos de 8.000 localidades e cidades, assim como os Legislativos de 13 das 17 regiões espanholas.

Nas últimas eleições, em 1999, o Partido Popular (PP) de Aznar e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) empataram com quase 34% nos votos municipais, mas Aznar ganhou com 44,8% contra 35,88% nos votos regionais.