Autoridades começam a desmontar parte sul do campo de refugiados em Calais

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Publicado segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 as 10:48, por: cdb

 

Organizações que trabalham com os imigrantes asseguram, no entanto, que a operação afeta mais de 3 mil pessoas, entre as quais 300 crianças desacompanhadas

 

Por Redação, com ABr – de Calais/Idomeni:

 

Autoridades começaram a demolir nesta segunda-feira a parte sul do campo de imigrantes de Calais, no Norte de França. A informação é da agência France Presse.

Duas escavadeiras e cerca de 20 trabalhadores de uma empresa privada contratada pelo Estado começaram a desmontar as tendas e barracas instaladas em uma área de 100 metros por 100 metros na presença de vários agentes policiais.

A parte sul do campo de refugiados em Calais, conhecido como Jungle, começa a ser desmontado
A parte sul do campo de refugiados em Calais, conhecido como Jungle, começa a ser desmontado

Alguns imigrantes estavam no local para recuperar objetos pessoais. Mais de 30 viaturas policiais e dois caminhões antimotim estavam estacionados à entrada do campo para, segundo a prefeitura, garantir a segurança da operação.

A situação era calma, embora uma ativista da organização britânica de apoio aos imigrantes “No Borders” tenha sido detida.

Uma porta-voz da prefeitura, Fabienne Buccio, disse à agência que três quartos dos abrigos naquela área do campo estão vazios, abandonados pelos imigrantes depois de terem sido informados da evacuação.

Segundo a prefeitura, vivem no local, conhecido como Campo Selva, 3,7 mil pessoas, das quais 800 a mil serão afetadas pela evacuação.

Organizações que trabalham com os imigrantes asseguram, no entanto, que a operação afeta mais de 3 mil pessoas, entre as quais 300 crianças desacompanhadas.

Os imigrantes retirados foram aconselhados a se instalar na parte norte do campo ou em um dos 100 centros de acolhimentos em toda a França.

A evacuação da parte sul da “Selva” foi contestada em tribunal por um grupo de imigrantes e organizações, mas a Justiça decidiu na última quinta-feira a favor do Estado.

Cerca de 4 mil imigrantes, vindos sobretudo da África subsaariana, vivem em condições muito precárias no campo, à espera de uma oportunidade para atravessar clandestinamente o Canal de Mancha e chegar ao Reino Unido.

Barrados na fronteira

A fronteira entre a Grécia e a Macedónia foi fechada novamente nesta segunda-feira, após as autoridades de Skopje terem deixado passar 300 imigrantes, estimando-se em cerca de 6 mil o total de pessoas barradas no lado grego, indicou a polícia helênica.

Segundo a mesma fonte, os 300 migrantes que conseguiram de madrugada entrar na Macedônia eram sobretudo iraquianos e sírios.

A Macedônia é o primeiro país da “rota dos Balcãs” escolhido pelos migrantes que atingem as ilhas gregas oriundos da costa da Turquia e que pretendem seguir para a Europa central e do norte.

Após as restrições impostas na semana passada pela Áustria, Croácia e Eslovênia, três países da União Europeia (UE), bem como pela Macedônia e Sérvia, que limitaram o número de entradas nos dois países, a Grécia advertiu que o atual número de refugiados no seu território, atualmente em cerca de 22 mil, poderá subir rapidamente para 70 mil.

Segundo a comunicação social grega, o governo de Atenas vai se reunir hoje para elaborar um “plano de emergência” para tentar ultrapassar a situação.

Atenas tem protestado com frequência contra as “decisões unilaterais” de vários países da UE, nomeadamente contra a Áustria, face à crise migratória.

Na última sexta-feira, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apelou a uma “partilha proporcional” das responsabilidades por todos os Estados-Membros para que se possa preservar a união da Europa.

Por seu lado, a chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou no domingo que a UE “não pode deixar cair a Grécia no caos” devido ao fluxo migratório.