Auto-exame de mama pode ser perda de tempo, diz estudo

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Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2002 as 00:21, por: cdb

O auto-exame de mama não detecta tumores com tempo suficiente para reduzir o risco de morte por câncer de seio e tanto ensinar como aprender a técnica pode ser uma perda de tempo para médicos e pacientes, de acordo com um estudo de uma década, publicado na quarta-feira, na revista do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

O auto-exame de mama, um procedimento detalhado no qual as mulheres devem manusear periodicamente seus seios com os dedos na busca de caroços que poderiam ser sinal de câncer, é promovido como uma maneira de se detectar a doença em um estado inicial e, assim, salvar vidas.

A técnica é bastante divulgada principalmente em países em desenvolvimento, nos quais exames de mamografia não estão amplamente disponíveis.

Mas, um estudo de uma década com mais de 260.000 mulheres em Xangai sugere que o auto-exame de mama não diminui os riscos de morte por câncer de seio.

“Nos países em desenvolvimento, onde a mamografia não é acessível as todas as mulheres, não parece ser apropriado utilizar os poucos fundos disponíveis para promover a prática do auto-exame”, disse o estudo.

Um editorial da revista sugeriu que os médicos norte-americanos “poderiam parar de perder tempo ensinando as pacientes como movimentar seus dedos para realizar o auto-exame e, ao invés disso, deveriam se concentrar em mais exames clínicos para detectar o câncer de mama”.

“Percebemos que as mulheres não são capazes de detectar caroços suficientemente cedo para fazer alguma diferença”, disse o responsável pelo estudo de Xangai, o dr. David B. Thomas, do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson, em Seattle.

Em teoria, segundo Thomas, o auto-exame deveria encontrar caroços cancerígenos a um ponto em que poderiam ser tratados facilmente, eliminando a ameaça de morte.

Mas, apesar do grande esforço de ensinar e monitorar as práticas de auto-exame entre as mulheres, os pesquisadores descobriram que o número de mortes por câncer de mama é equivalente entre pacientes treinadas para realizar o teste e as que não receberam instrução alguma.

“O treinamento para o auto-exame de mama não é um gasto irrelevante em países em desenvolvimento”, disse Thomas, ressaltando que o estudo de Xangai, patrocinado pelo Instituto Nacional de Câncer, custou milhões de dólares.

O aprendizado do auto-exame de mama requer um treinamento cuidadoso e as mulheres devem realizá-lo diligentemente e sistematicamente por quase toda a vida.

“É difícil aprender a fazê-lo bem”, disse Thomas.

No estudo, os pesquisadores aleatoriamente designaram 266.000 operárias de Xangai para um de dois grupos.

As mulheres de um grupo de 133.000 receberam treinamento para realizar o auto-exame de mama adequadamente.

Também eram relembradas mensalmente para não esquecer a prática e realizaram o auto-exame sob supervisão médica a cada seis meses por cinco anos.

O outro grupo de 133.000 não recebeu informação alguma sobre prevenção do câncer de mama.

Thomas disse que, após mais de uma década, os pesquisadores chegaram à conclusão de que não havia diferença no número de mortes por câncer de seio entre os dois grupos.

As mulheres que realizaram os auto-exames encontraram mais caroços benignos que necessitavam de atenção médica, mas não houve uma redução na taxa de câncer de mama.

Segundo Thomas, “o estudo mostra que o auto-exame não substitui mamografias regulares”.

O pesquisador também disse que é possível que “mulheres altamente motivadas” se beneficiem do auto-exame entre as mamografias regulares. Seja como for, essas pacientes devem estar atentas para o fato de que tais exames podem aumentar as chances da realização de biópsias nos seios.