Australianos se preocupam com recall de remédios

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 09:20, por: cdb

O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, pediu nesta terça-feira à população que não entrasse em pânico, depois do maior recall de remédios já realizado no país, em meio a sanções aplicadas à Pan Pharmaceuticals.

Na segunda-feira, o governo decidiu proibir a Pan de fabricar remédios por seis meses, depois de acusar a empresa de não respeitar normas de segurança e de qualidade na produção de vitaminas, pílulas herbais e minerais.

O governo também cancelou uma licença que permitia à Pan exportar 1.650 produtos – até agora, o recall envolve 219 marcas.

A lista de problemas citados pelas autoridades inclui o uso de matéria-prima não testada e processos inadequados de limpeza das máquinas entre uma produção e outra.

Análises oficiais mostraram que alguns produtos eram 700 por cento mais fortes do que o indicado nas bulas.

As autoridades da Saúde informaram ter iniciado uma investigação sobre a Pan em janeiro passado, quando 19 pessoas foram hospitalizadas depois de usar o remédio para enjôos Travalcam e dezenas de outras relataram efeitos colaterais, incluindo alucinações.

Em seu site na Internet, a Pan informa que 40 por cento de sua produção são voltados para a exportação.

A Nova Zelândia e países da Ásia e da Europa representam uma fatia de um terço do mercado externo da companhia, cujas vendas vêm também aumentando nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira, os jornais australianos publicaram uma lista dos produtos que estão sendo retirados do mercado australiano, indo desde vitaminas até xarope para tosse.

As autoridades temem que a lista possa aumentar significativamente, enquanto avançam em suas investigações sobre outros produtos da Pan.

A empresa declarou que está consultando sua assessoria jurídica sobre o processo e a substância das decisões tomadas pelas autoridades competentes.

O executivo-chefe da Pan, Jim Selim, disse que a companhia “está trabalhando para cumprir totalmente os regulamentos” da agência governamental encarregada de fiscalizar remédios no país.