Ativistas do Greenpeace sobem no edifício da CNEA para recordar que “não há energia nuclear segura”

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Publicado sexta-feira, 9 de março de 2012 as 15:03, por: cdb

Ativistas do Greenpeace se manifestaram nesta manhã no edifício da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) para recordar o desastre de Fukushima e exigir o abandono da energia nuclear na Argentina. Para isso, os ativistas escalaram o edifício da Comissão, localizado na Avenida Del Libertador y Ramallo, e expuseram um cartaz com a legenda “Fukushima: não há energia nuclear segura”, a 13 metros de altura.

“A catástrofe de Fukushima deixou em evidência as enormes falhas regulatórias inerentes à indústria atômica ao redor do mundo e o perigo que existe em cada reator nuclear, incluindo os argentinos”, declarou Mauro Fernández, da Campanha Nuclear do Greenpeace Argentina, e acrescentou: “Fukushima demonstrou que a energia nuclear segura não existe”.

Depois do desastre no Japão, países como Alemanha, Suíça, Bélgica e Itália decidiram abandonar a opção nuclear. No entanto, Argentina impulsionou o desenvolvimento desta energia e, entre outras coisas, firmou contratos pela extensão de vida da central nuclear Embalse em Córdoba, e começou a colocar em andamento Atucha II em Zárate, a apenas 100 km da cidade de Buenos Aires.

“A Argentina deve aprender as lições de Fukushima e desligar seus reatores, todos com design anterior a Chernobyl, pelos enormes riscos que possuem e seu aporte marginal para cobrir a demanda elétrica, só 6% da geração total”, sustentou Fernández e sentenciou: “Argentina tem um dos maiores potenciais eólicos do mundo. Investir em energia atômica é um engano econômico às verdadeiras soluções às mudanças climáticas e um risco desnecessário para a população”.

A organização recordou a tragédia nuclear de Fukushima, Japão, a pior na história depois de Chernobyl, em que 150 mil pessoas foram evacuadas, foram registradas 573 mortes relacionadas ao desastre, se produziu a maior descarga de elementos radioativos no Oceano Pacífico e 13 mil km2 de terra ficarão contaminados por décadas. Os danos estimados, incluindo o fechamento da planta e a limpeza do lugar, chegam a US$ 650 bilhões de dólares. Meses depois do desastre, o Governo japonês divulgou um estudo em que considerou como um cenário possível a evacuação da cidade de Tóquio, a 250 km da central.

Ike Teuling é especialista em radiação do Greenpeace Internacional e realizou trabalhos em Fukushima depois do desastre: “A catástrofe nuclear afetará a vida dos japoneses durante décadas. Em minhas viagens a Fukushima e Chernobyl, tenho visto como as pessoas vivem preocupadas com sua saúde e a saúde de seus filhos. Estes desastres e suas consequências sociais e ambientais são mais que suficientes para abandonar a energia nuclear para sempre”, afirmou.

Greenpeace exige o abandono da energia nuclear e propõe uma transição para energias limpas e renováveis como a eólica.