Atentados com antraz pode ser obra de terroristas norte-americanos

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Publicado sábado, 27 de outubro de 2001 as 11:45, por: cdb

A CIA, agência central de inteligência americana, e FBI, polícia federal americana, acreditam que grupos extremistas americanos, e não integrantes da organização Al-Qaeda, estejam por trás dos ataques biológicos usando bactérias do antraz. Segundo o jornal “The Washington Post”, agentes das duas instituições americanas acreditam que esses atos poderiam estar tirando a atenção das autoridades para a verdadeira ameaça de novos atentados terroristas.

De acordo com agentes da CIA e do FBI, que pediram que seus nomes fossem mantidos em segredo, afirmaram que não existem provas que liguem as cerca de 80 ameaças de cartas contaminadas por antraz com o terrorista Osama bin Laden. O mesmo já havia sido dito pelo diretor do FBI, Robert S. Mueller III, e pelo procurador-geral dos Estados Unidos, John Ashcroft.

A análise dos esporos não conseguiram revelar que laboratório ou governo os teria produzido. “Tudo parece indicar a existência de uma fonte americana. Nada corresponde aos padrões de uma operação terrorista de outro país”, afirmou o informante ao “The Washington Post”.

Segundo o agente, embora Osama bin Laden tenha anunciado que outros ataque ocorrerão, nem a CIA, nem o FBI acreditam que a onda de bioterrorismo seria um novo atentado.

A teoria corresponde a declarações realizadas na sexta-feira pelo porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. Em uma entrevista, ele afirmou que um grande grupo de pessoas é capaz de realizar os ataques biológicos.

– A qualidade do antraz enviado ao senador Tom Daschle poderia ter sido produzido por um PH D em micro-biologia e por um laboratório sofisticado – disse Fleischer.

O FBI e o Serviço de Inspeção Postal estão considerando diferentes grupos extremistas americanos como possíveis responsáveis pelos ataques biológicos, entre os quais grupos de extrema direita e moradores do país simpatizantes das causas islâmicas. Mas os investigadores não têm ainda suspeitos e também não sabem onde podem encontrar outras cartas, ainda não detectadas, com esporos do antraz.

De acordo com o rabino Abraham Cooper, diretor associado do Centro Simon Wiesenthal, organização defensora dos direitos humanos, muitas das idéias de Osama bin Laden são compartilhadas por grupos extremistas americanos. Ele lembra que o grupo Ação Ariana elogiou os atentados ocorridos no dia 11 de setembro em Nova York e Washington.

Ele lembra que Larry Wayne Harris, um micro-biologista de Ohio e ex-integrante do grupo anti-semita Nação Ariana, foi condenado em 1997 por tentar receber pelo correio o germe que provoca a peste bubônica. No ano seguinte, ele foi preso em Las Vegas após o FBI desconfiarem que ele possuía esporos de antraz. Mas os agentes só encontraram doses da vacina contra a doença em seu carro.

Cooper e autoridades do Projeto Southern Porvety Law, que monitora grupos extremistas americanos, afirmam existirem evidências de que esses tipos de grupos possam utilizar ataques com bactérias de antraz.