Atentados causam inundação de e-mails com boatos por todo o mundo

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Publicado sexta-feira, 5 de outubro de 2001 as 19:34, por: cdb

Nunca se viu tanto hoax (boato) quanto agora. Todo dia aparece um novo, e quase todos relacionados ao mesmo tema: os atentados terroristas aos EUA. Um dos que surgiu logo depois dos ataques pede para que as pessoas assinem uma lista pela paz mundial e, após 500 assinaturas, enviem-na ao Centro de Informações das Nações Unidas em Washington, cujo site é Unicwash.org. O resultado, claro, é que o grande fluxo de mensagens congestionou os servidores de e-mail do órgão.

Eis a mensagem que os visitantes do site encontram na primeira página.

“Temos sido inundados com e-mails gerados por uma petição pela paz mundial. Ao mesmo tempo em que compartilhamos sua preocupação a respeito dos recentes ataques terroristas e seu compromisso pela busca da paz mundial, não geramos esta petição e não somos os destinatários adequados para ela”.

As petições eletrônicas são correntes por e-mail, muitas vezes relatando situações reais – como a dos ursos enclausurados para retirada de bile ou a opressora situação vivida pelas mulheres sob o regime Talebã. Por isso, angariam a simpatia de milhares de pessoas bem-intencionadas, que repassam as mensagens para os conhecidos.

O problema é que essas mensagens normalmente não têm o poder de mudar nada, a não ser a velocidade da Internet, que fica menor. Nenhum órgão sério distribui e-mails pedindo para que as pessoas os repassem ao mundo inteiro. As mensagens sempre são criadas por alguém com muito tempo livre e pouca consideração pelos outros e repassadas por pessoas com bons propósitos, mas ingênuas (milhões delas, diga-se).

Muitas vezes, as mensagens nem sequer chegam ao seu suposto destino, e ficam rodando o planeta. A petição para as Nações Unidas recebida por InfoGuerra trazia assinaturas de pessoas da França, Espanha, Nova Zelândia, Estados Unidos, Chile, Argentina, Equador, México, Brasil, e vários outros países. Havia até uma assinatura nitidamente falsa: “Osama bin Laden – Kabul – Palestina”. (Além de Kabul ser a capital do Afeganistão, bin Laden não escreveria “Palestina”, em português, e obviamente não estaria nessa lista).

O pior é que essa petição gerou uma outra mensagem, a qual recebemos ontem. O texto está em http://www.infoguerra.com.br.

É um boato combatendo outro. Até faz lembrar a época da Guerra Fria, quando agentes americanos e soviéticos plantavam falsas notícias nos jornais, cada qual tentando denegrir a imagem do respectivo inimigo, num processo que ficou conhecido por “guerra de desinformação”. Talvez seja hora de reavaliar o conceito de “Sociedade da Informação”, atribuído aos tempos atuais. Com tanto hoax circulando por aí, o termo mais adequado talvez fosse mesmo “Sociedade da Desinformação”.

Nostradamus e CNN

Outros dois casos recentes que chamaram muito a atenção foram a suposta profecia de Nostradamus a respeito dos ataques ao WTC e o vídeo da CNN mostrando palestinos festejando a destruição dos alvos. Ambos já foram largamente esclarecidos, mas a cada dia novos rumores são acrescentados aos já existentes.

A “profecia” atribuída a Nostradamus, que teria sido escrita em 1654 (o médico francês morreu quase cem anos antes, em 1566), na verdade é um trecho do ensaio “Uma análise crítica de Nostradamus”, escrito há menos de cinco anos, por um estudante canadense chamado Neil Marshall, da Brock University.

Até 11 de setembro, a página da universidade que continha o texto de Marshall repousava tranqüilamente no ciberespaço. Mas após esse dia, alguém começou a espalhar o boato pela Internet e a Brock University também foi vítima do grande volume de acessos a seu site. Hoje, o endereço traz o seguinte aviso:

“Devido a um desafortunado hoax de e-mail que está sendo repassado pela Internet e que faz referência a esta página, a crescente carga neste servidor estava seriamente degradando o acesso da Universidade à Internet. Por causa disso, foi necessário remover a página que anteriormente estava neste endereço”.

Logo em seguida, há links para as ex