Atentado suicida em Jerusalém: 11 mortos e 50 feridos

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Publicado quinta-feira, 21 de novembro de 2002 as 23:36, por: cdb

A cidade de Jerusalém amanheceu sob a sombra do terror. Um atentado suicida, perpetrado dentro de um ônibus lotado, causou a morte de pelo menos 11 pessoas e deixou 50 feridos, oito dos quais em estado grave.

O grupo radical islâmico Hamas assumiu a autoria do ataque.

A linha do ônibus atingido costuma transportar crianças e universitários para as aulas, segundo o prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert.

“Cada vez que chego em uma cena como essa, não posso evitar de pensar que uma pessoa entrou no ônibus, viu crianças de seis, sete anos sentadas e se explodiu”, reagiu Olmert, a cerca de dois metros da carcaça destroçada do ônibus.

“É algo que você tem que ver para entender o quão terrível é”, continuou. “O clima é de imensa tristeza”.

Testemunhas contaram que a explosão, por volta das sete da manhã, hora local, aconteceu logo após um homem ter embarcado.

A Polícia israelense identificou o autor do ataque como um palestino de 26 anos, procedente da vizinha Belém, a cerca de cinco quilômetros do local da explosão.

O ônibus seguia de Kiryat Menachem, um bairro de população de baixa renda na periferia de Jerusalém, para o centro da cidade sagrada.

Olmert revelou que as autoridades de Jerusalém conseguem frustrar cerca de 10 atentados – ataques a tiros, com bombas e homens-bomba – toda noite.

Troca de acusações

O prefeito também culpou o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, pela continuidade dos atos terroristas.

“As bombas não vão parar enquanto Yasser Arafat quiser que continuem”, acusou. “Ele quer cobrir de sangue o processo político em Israel”.

“Não há nada que ele queira mais do que derrubar Ariel Sharon”, completou. A liderança do primeiro-ministro será posta em xeque no final de janeiro, com a realização de eleições antecipadas em Israel.

O principal negociador palestino, Saeb Erakat, condenou o ataque ao ônibus, mas classificou as acusações de Olmer como um “disco quebrado”.

“Não podemos aceitar as acusações das autoridades israelenses contra a Autoridade Palestina e Arafat”, disse Erakat. “Devem prestar atenção para o fato de que nove palestinos foram mortos pelas mãos do Exército israelense nas últimas 24 horas”.

“Reiteramos que a única maneira de parar este ciclo de violência é por meio da retomada pacífica de um processo de paz significativo, que resultaria no fim da ocupação israelense”, concluiu.

Jovens estudantes também foram alvejados no último ato terrorista em Jerusalém, ocorrido em 1º de agosto. Na época, um homem-bomba provocou uma detonação na Universidade Hebraica, matando sete pessoas, incluindo quatro norte-americanos.

Uma mulher que mora perto do local onde o ônibus explodiu, nesta quinta-feira, disse estar cansada de testemunhar tanta violência.

“Eu tremo toda manhã, cada vez que vou à cidade, cada vez que vou ao supermercado”, desabafou. “Temos que começar uma vida nova. Basta! Convivo há 65 anos com a violência”.

“Rezo todo dia, toda noite”, prosseguiu. “Todo dia eu digo: Senhor, coloque o amor nos nossos corações”.

Em meio aos estilhaços de vidro espalhados pela rua, misturavam-se poças de sangue, livros escolares e mochilas. Maor Kimche, um adolescente de 15 anos, lembrou os momentos de horror vividos dentro do ônibus.

“De repente, ficou tudo branco e cheio de fumaça”, disse o garoto, que sobreveu por ter se sentado no último banco. “Havia pessoas estendidas no chão. Tudo estava coberto de sangue”.

Escalada da violência
O atentado suicida pontuou a escalada da violência no Oriente Médio. Poucas horas antes, forças israelenses invadiram três vilarejos na Faixa de Gaza, com pelo menos 50 tanques apoiados por dois helicópteros Apache.

A incursão teve início perto de Khan Yunis por volta das duas da madrugada, horário local; os tanques faziam disparos enquanto entravam nos vilarejos vizinhos de Abasan, Boni Suhaila e Khuza.

Testemunhas contaram que os helicópteros também atiraram contra casas. Ainda não