Assessora da Câmara de Belo Horizonte é assassinada

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Publicado segunda-feira, 10 de novembro de 2003 as 01:36, por: cdb

O tráfico de drogas pode estar por trás da execução de Marli de Cássia Mota Almeida, 48 anos, e da filha dela, Simone Cássia de Almeida, 24 anos, ocorrida na noite do último sábado no Bairro Taquaril, na Região Leste de Belo Horizonte.
 
Marli de Cássia era assessora parlamentar do gabinete do vereador Sérgio Ferrara (PDT), obreira da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e uma das principais lideranças comunitárias do Taquaril. O crime revoltou a comunidade do aglomerado, já que Marli de Cássia foi morta no dia do aniversário dela e, segundo os vizinhos, não media esforços para resolver os problemas da região.

Mãe e filha foram retiradas de casa por volta das 23 horas de sábado, conforme a Polícia Militar, e executadas a tiros em um beco próximo à Rua Gutierrez, onde moravam.
 
Elas teriam sido retiradas de casa por oito homens, conforme consta no boletim de ocorrências da PM. Momentos antes de ser executada, Marli de Cássia teria ligado para o 190 informando que alguns homens suspeitos estavam rondando sua casa.
 
Quando os militares chegaram à casa, segundo o tenente Sandro Alex, da 128ª Companhia da Polícia Militar, que esteve no local, a porta da casa estava semi-aberta, a televisão ligada e alguns CDs no quintal. Os vizinhos informaram aos policiais que ouviram tiros, o que ajudou na localização dos corpos.

Marli de Cássia teria sido atingida com dois tiros na cabeça e dois nas costas e Simone Cássia teria sido morta com um tio na cabeça.
 
– A minha mãe já fez várias denúncias de traficantes que atuam no Taquaril. Ela sempre lutou para defender as pessoas que sofrem por causa da violência – declarou um dos filhos de Marli de Cássia, Cláudio Almeida, 31 anos, que trabalha como montador de móveis.

Marli de Cássia era separada e atuava como obreira da sede da Iurd da Avenida Olegário Maciel.

Sem saber ao certo o motivo da execução de sua mãe e da irmã, Cláudio Almeida disse que elas viviam sozinhas e não vinham se queixando de ameaças. Fez ainda um apelo para que testemunhas entrem em contato com a Polícia Militar para ajudar esclarecer o caso.
 
– Eu acredito na Justiça de Deus, que vai iluminar as pessoas que sabem quem são os criminosos para que eles sejam processados – disse Cláudio Almeida.

Marli de Cássia já participou de várias reuniões para discutir formas de combater a violência do Taquaril, conforme o tenente Sandro Alex.
 
– A minha mãe não tinha dia e nem horário para defender os interesses da comunidade. Ela cobrava das autoridades uma solução para os problemas – contou Cláudio Almeida.

O vereador Sérgio Ferrara não quis falar sobre a execução de Marli de Cássia, alegando que estava muito abalado. A Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal confirmou no início da noite que Marli era assessora parlamentar e que o vereador Sérgio Ferrara, revoltado com o crime, pediria providências aos comandos da PM e à chefia da Polícia Civil.

Além de Marli de Cássia, que trabalhava na Câmara Municipal há mais de quatro anos, a filha Simone Cássia também era chamada para trabalhar esporadicamente no gabinete de Sérgio Ferrara, conforme relato de Adriana Almeida, irmã de Simone.