Assessor de Lula avalia demissão para ajudar na campanha de Dilma

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Publicado quarta-feira, 31 de março de 2010 as 14:09, por: cdb

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta-feira que há possibilidade de ele deixar o cargo para coordenar a campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff – pré-candidata do PT à Presidência da República nas eleições deste ano.

– O dia tem três turnos. De manhã e de tarde eu trabalho no governo e de noite trabalharei na campanha. E ainda tenho fins de semana, que posso dedicar a isso. Se, em um determinado momento, constatarmos que há incompatibilidade, evidentemente farei como já fiz na eleição do presidente Lula em 2006, quando me afastei para assumir a coordenação da campanha. Mas até agora está dando para aguentar – disse.

Ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Brasil em Pauta, Marco Aurélio comentou ainda a saída de outros ministros que devem disputar o pleito deste ano. Para ele, o governo não se tornará mais técnico depois que secretários executivos e chefes de gabinete assumirem o comando das pastas.

– Imagine você se sobe um novo ministro, que não conhece nada. O que vamos ter é gente que já conhece como está funcionando e vai dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado. Precisamos, até o dia 31 de dezembro, estar com as coisas funcionando do jeito que funcionaram até agora – acrescentou.

Em cima do muro

Marco Aurélio Garcia também afirmou, durante a entrevista, que o país “não está em cima do muro” sobre um posicionamento mais forte em questões como o programa nuclear iraniano e a situação de presos políticos em Cuba.

– Não queremos ser seletivos. Precisamos saber como tratar isso, se fizermos uma declaração estrepitosa (escandalosa), vamos ser aplaudidos, mas não vamos obter nenhum resultado concreto, pelo contrário. Não nos omitimos mas temos que saber como dosar e como contribuir a longo prazo – disse.

Ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Brasil em Pauta, Marco Aurélio explicou que a estratégia brasileira é de não intervir em assuntos internos de outros países e que isso é válido para Cuba, China e qualquer outra nação onde haja denúncias sobre violação de direitos humanos.

– Achamos que a melhor maneira de intervir positivamente não é soltando foguete. A tendência normal do país é reagir, se enclausurar e não dar atenção à isso. Aquilo que os Estados Unidos queriam lograr com isso não conseguiram, pelo contrário, conseguiram simplesmente uma retração maior do governo cubano. Achamos que são muito mais úteis negociações discretas – afirmou, ao citar como exemplo o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

Sobre a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã em dezembro, Marco Aurélio afirmou que será cobrada a submissão iraniana às verificações da Agência Nacional de Energia Nuclear. Lula deve pedir ainda maior participação do país para a solução de conflitos no Oriente Médio.

Farc

Garcia garantiu, ainda, que não há previsão para uma nova colaboração do governo brasileiro no resgate de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ele destacou, entretanto, que se houver demanda da Cruz Vermelha Internacional – responsável pelas mediações – o país vai atuar “com a mesma simpatia”. Garcia disse que a Colômbia, lamentavelmente, é um país onde existe um conflito militar há muitas décadas. “A Colômbia poderia dar uma contribuição muito maior ao continente se alcançássemos uma solução de paz. Tudo que puder fazer o Brasil fará”, afirmou.

Ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Brasil em Pauta, Marco Aurélio Garcia lembrou que a proximidade das eleições na Colômbia pode ter influenciado as operações da resgate. “Imagino que, tanto por parte do governo colombiano como por parte das Farc, essa decisão foi tomada em função das questões que estão em jogo nas eleições”, declarou.

Segundo ele, as operações podem ser ainda sinal de uma nova estratégia por parte da guerrilha em função de “duros golpes” nos últimos anos.

– Mas ainda é muito difícil examinar completamente o alcance dessa mudança. Gostaríamos que fosse uma mudança que levasse à pacificação da Colômbia, um grande país que tem sido muito prejudicado por esse conflito que já dura décadas – completou.

Esta semana, militares brasileiros participaram de duas operações na Colômbia que resultaram no resgate do soldado Josué Daniel Calvo Sánchez e do sargento Pablo Emilio Moncayo, ambos mantidos reféns pela guerrilha.