Assassino de Pim Fortuyn condenado a 18 anos na Holanda

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Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 09:57, por: cdb

O ativista holandês Volkert Van der Graaf foi condenado nesta terça-feira a 18 anos de prisão pelo assassinato do político Pim Fortuyn. Os promotores haviam pedido prisão perpétua a Graaf, a pena mais pesada existente no país.

Os advogados de defesa disseram que a prisão perpétua não poderia ser aplicada nesse caso. De acordo com as leis do país, ela só vale para assassinos contumazes que não demonstram remorso.

Graaf disse que matou Fortuyn, em maio do ano passado, para proteger imigrantes islâmicos e outros membros “vulneráveis” da sociedade.

Fortuyn – homossexual assumido – acusava o islamismo de ser uma religião retrógrada por sua atitude em relação ao homossexualismo e aos estilos de vida seculares.

Logo após a morte de Fortuyn, o partido dele, o LPF, cresceu nas urnas e pela primeira vez passou a participar da coalizão que governava o país.

Apesar disso, o governo caiu por causa de divergências internas e, nas eleições seguintes, o LPF perdeu apoio da população.

Muitos holandeses acompanharam o julgamento. Várias emissoras de TV do país transmitiram a sentença ao vivo.

Van der Graaf confessou ter se escondido em arbustos e atirado em Fortuyn depois que ele saiu de uma estação de rádio em Hilversum.

O ativista também afirmou que o crescimento da popularidade de Fortuyn poderia ser comparado ao de Hitler, e que isso seria uma ameaça a imigrantes muçulmanos e outros membros “vulneráveis” da sociedade.

Sobre ter se arrependido, ele disse que ainda “lutava” com a questão de ter agido ou não corretamente ao ter feito o ataque.

“Todo dia eu o vejo na minha frente. Vejo-me atirando e Fortuyn caindo”, disse.

Uma das advogadas de defesa, Britta Goehler, afirmou que “ele cometeu o crime, mas não com uma intenção moral repreensível”.

Os prometores, entretanto, afirmaram que Van der Graaf mostrou pouco remorso e planejou o assassinato de uma maneira fria.

“Ninguém deve nunca mais seguir este exemplo, de frustrar o processo democrático de uma maneira criminosa”, disse Koos Plooy, o chefe dos promotores.

“Um assassinato como este não tem precedentes e nunca deveria acontecer de novo. A única sentença apropriada é a prisão perpétua”, disse antes do julgamento.

Um relatório psiquiátrico entregue ao tribunal atestou que o réu não tinha problemas mentais.

De acordo com o documento, Van der Graaf é muito inteligente, perfeccionista, emocional na hora de se comunicar e pouco tolerante com pessoas que mostram opiniões contrárias à dele.