Ásia é alertada sobre perigo de terrorismo

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Publicado sexta-feira, 16 de maio de 2003 as 08:50, por: cdb

Citando informações de serviços secretos sobre ataques terroristas planejados por militantes islâmicos, os governos da Austrália e da Nova Zelândia estenderam um alerta contra viagens a mais países do sudeste da Ásia.

Os Estados Unidos, por sua vez, revelaram, na quinta-feira, ter recebido informações confiáveis sobre a possibilidade de terroristas voltarem a agir na Arábia Saudita, especificamente em Jidá.

Também está em vigor uma suspensão da Grã-Bretanha a todos os vôos comerciais do país que tenham o Quênia como procedência e destino.

As novas advertências seguem-se a alertas similares que visavam alguns países asiáticos, bem como o Oriente Médio e parte da África, desde os atentados suicidas ocorridos em Riad, capital da Arábia Saudita, na última segunda-feira.

O alerta da Austrália atinge Malásia, Tailândia, Cingapura, Filipinas, Brunei e Timor Leste e aconselha cidadãos que estejam nestes países a ter “cautela extrema”.

Os australianos, segundo o governo, devem evitar circular por manifestações, multidões e locais públicos, como bares e restaurantes comumente freqüentados por estrangeiros.

“Continuamos a receber informações de que elementos terroristas na região estão planejando ataques”, explicou o Departamento de Assuntos Estrangeiros da Austrália.

Já a Nova Zelândia disse que, embora não possa citar alvos ou datas específicas, as ameaças estão sendo encaradas como “reais”.

“Em virtude dos recentes atentados com bombas na Arábia Saudita, existe uma preocupação de que ataques similares possam ser perpetrados no sudeste da Ásia pelo Jemaah Islamiyah, que é conhecido por seus vínculos com a Al Qaeda e outras organizações extremistas”, declarou o ministro do Exterior neozelandês, Phil Goff.

O primeiro-ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, reagiu com irritação aos novos alertas e negou que seu país seja um alvo em potencial para ataques.

“A própria Austrália é um alvo”, disse. “Eu alertaria os tailandeses que visitam a Austrália para que tenham cuidado, pois aquele país também é um alvo. Eles devem viajar apenas a cidades seguras”.

As advertências relacionadas a ações terroristas representam um novo golpe para a combalida indústria do turismo no sudeste asiático, já castigada pelo impacto da Sars, da guerra no Iraque e das explosões de outubro passado em Bali.

EUA: Jidá na mira

Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou ter recebido um relato sobre um possível ataque terrorista que visaria, “em um futuro próximo” um bairro habitado por norte-americanos e outros estrangeiros em Jidá, na Arábia Saudita.

“Embora não possamos nos certificar sobre a credibilidade da ameaça, esta informação está, devido aos acontecimentos recentes, sendo compartilhada com a comunidade norte-americana”, informou o governo de Washington.

A ameaça, segundo o Departamento de Estado, citou nominalmente o bairro de Al Hamra, onde residem alguns funcionários do consulado norte-americano e suas famílias.

Como conseqüência do alerta, todos os diplomatas e seus parentes foram transferidos para outras áreas de Jidá.

“Os cidadãos norte-americanos estão sendo incentivados a manter um nível alto de vigilância e a adotar medidas necessárias para aumentar sua segurança”, acrescentou.

No começo desta semana, pelo menos 34 pessoas morreram, incluindo oito norte-americanos, em três atentados simultâneos contra prédios que abrigavam estrangeiros em Riad.

Após os ataques, o Departamento de Estado determinou que todo o pessoal não-essencial a serviço dos Estados Unidos deixasse a Arábia Saudita.

Um alto funcionário do Departamento de Estado contou à CNN que a ameaça contra o bairro de Jidá partiu de um telefonema, mas não foi ainda “corroborada”.

Outros funcionários disseram que os Estados Unidos permanecem preocupados com o potencial para ataques terroristas no leste da África, no Iêmen, na Malásia e nas Filipinas.