Artista Paulo Bruscky desloca seu ateliê de Recife à Bienal

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Publicado sábado, 25 de setembro de 2004 as 09:19, por: cdb

Foram necessárias mais de 300 caixas para transportar 5.000 livros, objetos dos mais diversos e até móveis, sem contar algumas latinhas de cerveja, que estavam no ateliê-apartamento do artista Paulo Bruscky em Recife e agora se encontram no prédio da Bienal, no parque Ibirapuera.

O trabalho, visto como uma instalação, integra uma das oito Salas Especiais da 26a Bienal de Artes de São Paulo, no segundo andar do pavilhão. O evento abre para o público neste domingo.

Cada centímetro do atêlie de Bruscky foi refeito em São Paulo. Os três quatros, os dois banheiros e a cozinha, cada ambiente repleto de obras de arte — do artista e de outros –, livros de arte e uma papelada sem fim espalhada pelo chão.

Apesar do aparente caos, está tudo catalogado e organizado segundo a vontade do pernambucano de 55 anos. “Minha vida inteira está aqui. Até projetos que eu estava desenvolvendo estão em umas pranchetas que ficaram em um dos quartos”, disse o artista à Reuters.

“Não separo arte e vida. Todo dia estou escrevendo”, continua ele, mostrando o banheiro apertado para o qual construiu uma mesinha de madeira com rodinhas, que se encaixa na privada, para “não perder tempo”.

“Vou ficar quatro meses sem ateliê. Quando voltar para o Recife vou ter a experiência de encontrar o ateliê vazio. Ainda não sei como vai ser.”

O espaço possui até “janelas”, com as paisagens idênticas às do Recife, usando fotografias em escala real. Os visitantes não poderão passear entre os ambientes, apenas ver através das portas que deverão estar com protetores de acrílico.

O artista, premiado internacionalmente, ficou famoso nos anos 1970, quando começou a fazer experimentações no campo da arte conceitual, com pesquisas que envolviam materiais diversos e intervenções, como happenings, carimbos, áudio, copy art e super-8.

Sua instalação na Bienal apresenta cerca de 100 trabalhos propriamente ditos de Bruscky, mas estes estão espalhados pelos ambientes e sem etiquetas para identificação. Há também algumas caixas lacradas no segundo banheiro, usado como depósito, com o resto de instalações feitas no passado.

Os outros artistas participantes das Salas Especiais são o português radicado no Brasil Artur Barrio, os chineses Cai Guo Qiang e Huang Yong Ping, o chileno Eugenio Dittborn, a brasileira Beatriz Milhazes, o alemão Thomas Struth e o belga Luc Tuymans.

A 26a Bienal de São Paulo, que terá entrada gratuita, acontece até 19 de dezembro. O tema “Território Livre” foi escolhido pelo curador alemão Alfons Hug, responsável também pela Bienal anterior, em 2002. No total, são 135 artistas, de 62 países.