Armas serão encontradas com a ajuda dos iraquianos, diz Bush

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Publicado sexta-feira, 25 de abril de 2003 as 12:16, por: cdb

Na última quinta-feira, o presidente Bush afirmou que oficiais e cientistas iraquianos forneceram informações aos EUA de que Saddam Hussein pode ter destruído ou dispersado armas químicas e biológicas antes da guerra, sugerindo que a busca de provas sobre o programa de armas iraquiano pode ser longa.

Respondendo à especulação sobre o paradeiro de Saddam, Bush disse que tem evidências consideráveis de que ele está morto ou severamente ferido, mas que os EUA não têm uma prova definitiva disso, como um exame de DNA.

Bush também disse que a resistência encontrada pelas tropas americanas no sul do Iraque durante as primeiras semanas do conflito foi mais dura do que o esperado, uma admissão que destoou da insistência do Pentágono de que a guerra estava se desenvolvendo conforme o plano.

“O choque e pavor mostrou às pessoas que tudo que teríamos que fazer era provar nosso poder e as pessoas cairiam”, afirmou Bush em uma entrevista para a NBC News, a mais extensa desde a invasão do Iraque. “E vimos que os soldados eram bem mais resistentes que o esperado”.

Bush deu uma descrição detalhada da guerra em sua perspectiva como comandante. Ele disse ainda que temeu que o primeiro golpe da guerra – sua decisão de bombardear Bagdá no último minuto, onde um agente havia reportado que Saddam e seus filhos poderiam passar a noite – terminaria com a televisão mostrando imagens dos netos de Saddam feridos.

“A princípio, eu hesitei, para ser franco”, declarou Bush, “porque temi que as primeiras imagens do Iraque seriam dos netos de Saddam Hussein”.

Mas no final, explicou, estava convencido de que tinha uma boa oportunidade para matar o líder iraquiano. O agente que forneceu a informação da cena do ataque, disse, considerou o bombardeio um sucesso.

“Ele achou que tínhamos pegado Saddam”, afirmou Bush, acrescentando que a evidência sobre o destino de Saddam continua incerta, mas que se ele não está morto, está seriamente ferido.

Perguntado se serão necessários dois anos para estabilizar o Iraque, Bush respondeu: “Pode ser. Pode ser. Ou menos, quem sabe?”.

Bush não comentou as evidências reunidas pelos EUA desde o fim da guerra sobre os programas de armas iraquianos. Ele reconheceu que as questões sobre a credibilidade dos EUA não seriam esquecidas até que as armas fossem encontradas.

“Eu acho que haverá um certo ceticismo até as pessoas descobrirem que havia, na verdade, um programa de armas de destruição em massa”. Apesar disso, Bush expressou confiança no trabalho das forças americanas.

“Nós estamos descobrindo mais coisas conforme entrevistamos ou discutimos a questão com cientistas iraquianos e pessoas dentro da estrutura do país”, confirmou.

Bush disse que os EUA, até o momento, examinaram apenas 90 das centenas de locais que Saddam e seu governo poderiam ter usado para esconder armas. Mas os locais que já foram examinados são considerados os mais prováveis esconderijos de armas.

“E então as encontraremos”, disse Bush na entrevista, realizada por Tom Brokaw a bordo do Air Force One, entre as aparições do presidente em Ohio. “Mas precisaremos de tempo para encontrá-las. E a melhor forma de isso acontecer é continuar a coletar informações de pessoas, iraquianos envolvidos na estrutura”.

Em uma entrevista, na semana passada, um oficial do governo americano disse que não estava certo que tipo de armas químicas e biológicas os EUA encontrariam.

“É possível que eles tenham o material cru”, disse. “Mas ainda não sabemos de nada”.

Mas o oficial disse que não há uma verdadeira preocupação dentro do governo de que algo de importância seja encontrado. “Não poderíamos estar tão longe assim”, disse.

Ao descrever a guerra em sua perspectiva, Bush combinou reconhecimentos de dúvidas e pressões com declarações de momentos dramáticos e humor, incluindo sua fascinação com os relatos da heróica resistência iraquiana do ministro da Informação, Muhammad Said al-Sahhaf.

“Ele é meu hom