Argentina vai mudar todo o sistema bancário

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Publicado quinta-feira, 24 de janeiro de 2002 as 00:42, por: cdb

A equipe econômica argentina prepara um grande programa de reestruturação do sistema financeiro, que deverá envolver, além da ajuda do governo aos bancos debilitados pela pesificação das dívidas em dólares, alteração nas normas do sistema. Seguiria os passos do que fez o governo brasileiro, em 1995, com o Proer, mas promoveria também a fusão de bancos estatais e a conversão das franquias de bancos estrangeiros em sucursais de suas matrizes. As reformas são consideradas essenciais para a reativação da economia e devem constar do plano que será apresentado no final do mês ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com o jornal O Clarín, o presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, teria um novo encontro com o ministro argentino da Economia, Jorge Remes Lenicov, esta semana em Buenos Aires. A equipe econômica ainda se reuniria mais uma vez com autoridades chilenas e mexicanas. O principal tópico seria a definição do apoio financeiro necessário para a reestruturação do sistema bancário que, por sua, vez, o governo deverá pedir aos organismos internacionais. A assessoria de Fraga ainda não confirmou a viagem dele à Argentina.

Apoiada na possível aprovação pela Câmara dos Deputados da nova Carta Orgânica do Banco Central, que transforma a instituição em emprestador de última instância dos depósitos bancários, técnicos do governo argentino deverão analisar em detalhes as alternativas adotadas pelo Brasil. Foram elas o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), que envolveu a ajuda do BC a seis bancos e gerou uma despesa de R$ 16,9 bilhões aos cofres da instituição até 2001, e o Proes, destinado ao saneamento dos bancos estaduais, que levou a União a emitir R$ 56 bilhões em títulos.

Os técnicos ainda trabalham em dois tópicos delicados. O primeiro seria a fusão de bancos estatais, de forma a unificar as operações de fomento ao desenvolvimento produtivo. O outro, o fim do sistema que permite aos empresários locais instalar uma espécie de franquia de bancos estrangeiros no país. A intenção seria de iniciar uma negociação com um conjunto de instituições de outros países para que absorvam essas franquias e as transformem em sucursais. Com isso, as matrizes seriam obrigadas a garantir os depósitos dos clientes.

O governo trabalha contra o relógio para montar esse programa, que seria mais profundo que a versão imaginada originalmente e com a qual pretende obter o aval do FMI. A disposição de levar adiante esse conjunto de mudanças está associada à sua própria continuidade. Uma vez eliminados esses entraves no sistema financeiro, o governo poderia liberar os depósitos presos desde o início de dezembro no chamado “corralito”. Portanto, ficaria livre do principal foco de instabilidade social: os protestos que se multiplicam a cada dia em diferentes locais.

Ao mesmo tempo em que trabalha na reforma no sistema financeiro, o Ministério da Economia deverá avançar ainda mais a pesificação das operações em dólares. Técnicos da área econômica estão convencidos de que essa seria uma saída necessária para a normalização do sistema. Em princípio, daria mais oxigênio ao setor produtivo, que está parado por falta de linhas de crédito e de regras confiáveis de financiamento.

Para tanto, o Banco Central deverá promover uma emissão gradual de pesos, assim que for aprovada a nova Carta Orgânica da instituição pela Câmara dos Deputados.