Argentina reforça segurança temendo ataques extremistas

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Publicado sábado, 19 de outubro de 2002 as 00:10, por: cdb

O governo da Argentina decidiu reforçar a segurança em locais considerados vulneráveis a atentados no país, temendo possíveis ataques da organização ativista islâmica Al-Qaeda ou do grupo Hezbollah.

Acredita-se que ambas as organizações têm células de financiamento e apoio logístico na cidade paraguaia de Ciudad del Este, na fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.

Segundo o jornal argentino El Clarín, começou a circular nesta quinta-feira um memorando secreto nos escritórios do governo da Argentina, contendo um alerta sobre a possibilidade de ataques a alvos estratégicos nesses países.

O El Clarín também informou que a informação foi divulgada originalmente pelo Mosad, o serviço secreto de Israel, e difundida nos escritórios governamentais do país a partir do Ministério do Exterior argentino.

Confirmação

Um representante do executivo argentino confirmou à BBC que o documento de fato existe e que já foi recebido pelos ministros da Segurança e do Interior da Argentina – mas até o momento não foi feito nenhum pronunciamento oficial.

Ainda não se sabe ao certo qual seria o objetivo do possível ataque, mas alguns dos alvos cogitados são hotéis, aeroportos, bancos e sedes de empresas, além de usinas elétricas e de distribuição de água.

O El Clarín revelou que pelo menos duas empresas multinacionais que atuam no Paraguai também receberam alertas sobre o risco de ataques.

Nesta sexta-feira, foi reforçada a segurança na sede da associação argentino-israelita, a AMIA, onde em 1994 ocorreu um atentado que deixou um saldo de mais de 85 mortos.

Também foi reforçado o policiamento na fronteira com o Paraguai – embora o Ministério do Exterior afirme que apenas o grupo Hezbollah opera nessa região, especialmente realizando atividades destinadas ao financiamento de suas ações.

As preocupações argentinas aumentaram ainda mais depois dos recentes atentados em Bali, no Iêmem e nas Filipinas – que denotariam uma onda de ataques extremistas.