Argentina: Produtores de soja serão beneficiados pela vaca louca

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Publicado sábado, 27 de dezembro de 2003 as 15:53, por: cdb

Os produtores de soja da Argentina serão beneficiados pelo surgimento do “mal da vaca louca” nos Estados Unidos, onde, em breve, será proibida a alimentação de aves e porcos com farinha de origem animal, informou neste sábado, a imprensa local.    

Por causa desta proibição, surgirá uma demanda interna nos EUA que deverá ser suprida por países como a Argentina, o terceiro produtor mundial de soja.

Deste modo, as exportações de soja em grão e farinha de soja dariam aos produtores locais um lucro extra de aproximadamente 400 milhões de dólares, disseram especialistas ao jornal La Nación.

Nesta sexta-feira, o preço da soja no mercado argentino registrou alta de 33 pesos (cerca de 11 dólares), chegando a 655 pesos (aproximadamente 219 dólares) a tonelada do grão.

Com esta alta, “os cerca de quatro milhões de toneladas de soja da safra 2002/2003 que ainda permanecem nos silos dos produtores se revalorizaram em aproximadamente 44 milhões de dólares”, explicou ao matutino Ricardo Baccarín, da corretora de cereais Panagrícola.

Por sua vez, Marcelo Accari, da empresa de cereais Morgan, Garcia Mansilla e Cia., explicou que os EUA precisam de cinco milhões de toneladas de farinha de soja para substituir os três milhões de farinha de origem animal utilizada para alimentar anualmente aves e porcos.

– É como se, em princípio, surgisse um novo comprador de soja num mercado que se encontra com estoques muito baixos – disse Accari.

Para Baccarin, a confirmação de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina, como é chamada tecnicamente o “mal da vaca louca”, nos EUA é “um balde de gasolina sobre um mercado que já estava incendiado”.

Segundo dados oficiais, na Argentina, a superfície de soja cultivada aumentou 9,4 por cento este ano, enquanto que a produção desta semente registrou uma alta de 70 por cento, acompanhada por um aumento de preço de 35 por cento.

Entre janeiro e outubro passado, a Argentina exportou 18 milhões das 35,1 milhões de toneladas produzidas na safra 2002/2003, por 2,3 bilhões de dólares.

Para a próxima safra, estima-se que a área semeada na Argentina chegue a 13,9 milhões de hectares, dos quais já foram plantados 11,78 milhões, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

Os lucros adicionais por exportação de soja aos Estados Unidos não só chegarão às mãos dos produtores locais, mas também ao Estado argentino, que arrecada 23,5 e 20 por cento das vendas ao exterior de da soja em grão e da farinha de soja, respectivamente.