Argentina: Morre Eduardo Duhalde, secretário de Direitos Humanos

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Publicado quarta-feira, 4 de abril de 2012 as 07:37, por: cdb

O secretário de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Luis Duhalde, conhecido por sua atuação em defesa das vítimas da repressão naquele país durante e depois o período ditatorial (1976-1983), morreu nesta terça-feira (03) aos 72 anos em Buenos Aires.
O jurista Eduardo Luis Duhalde teve sua carreira vinculada à luta pelos Direitos Humanos na Argentina/ Foto: Telám
Duhalde foi advogado, jornalista e historiador; também, por um período relativamente curto, ocupou o cargo de juiz, e desde maio de 2003 passou a ocupar, no Poder Executivo, a Secretaria de Direitos Humanos. “Estou ligado aos direitos humanos desde que me formei advogado, em 1961”, definiu em uma das entrevistas que concedeu em 2003, ao assumir a presidência.

O jurista (que não tinha parentesco com o ex-presidente Eduardo Alberto Duhalde) já se encontrava internado há dois dias em razão de um aneurisma na aorta abdominal. Seu velório será realizado nas dependências da Secretaria.

Duhalde assumiu a Secretaria de Direitos Humanos em 2003, logo no início do primeiro governo de Néstor Kirchner, cargo que exerceu desde então. Em fevereiro, ele participou de uma atividade pública em solidariedade ao juiz espanhol Baltasar Garzón, suspenso de suas atividades pela Justiça espanhola.

Sua trajetória como secretário foi marcada por ter ajudado a impulsionar as aberturas de processos contra centenas de repressores e genocidas do regime. Também contribuiu para uma série de eventos em prol da memória histórica do país.

Na década de 1970, começou a representar juridicamente militantes políticos reprimidos pelo regime anti-peronista. Na mesma época, editava a revista “Militância Peronista para a Libertação”, junto ao advogado Rodolfo Ortega Peña, que acabou morto pelos órgãos repressores em 1974. Ao lado de seu sócio, assumiu a defesa de diversos militantes do ERP (Exército Revolucionário do Povo), entre outros casos.

Em 1976, com a instauração da ditadura militar, foi privado de seus direitos civis e políticos. Por fim, o regime ordenou sua captura e o bloqueio de seus bens, obrigando-o a se exilar na Espanha, onde ajudou a coordenar denúncias contra o terrorismo de Estado na Argentina em instâncias internacionais. Entre outros cargos, tornou-se consultor de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).

Em 2003 renunciou a seu cargo na Justiça para dedicar-se a acompanhar a candidatura de Néstor Kirchner, que após assumir a presidência o designou secretário de Direitos Humanos. Desde então, Duhalde trabalhou pela inconstitucionalidade das leis do ponto final e obediência devida, e mais tarde sería um dos impulsionadores dos julgamentos contra os repressores.

Nesta terça (3), quando se tomou conhecimento de sua morte, figuras dos organismos de direitos humanos e do âmbito político falaram de sua perda, e sobretudo, reconheceram sua contribuição ao Estado de Direito.

As Avós da Praça de Maio se despediram “com muita tristeza” de Duhalde e lembraram que ele “sempre contribuiu solidariamente com a busca de nossos netos”. Também na Associaçao Mães da Praça de Maio, presidida por Hebe de Bonafini, falou de uma profunda dor: “O companhero lutou por sua vida durante muitos dias, como ele sabia fazer desde que decidiu ser advogado dos presos políticos nos momentos mais difíceis da vida política argentina”.

Com informações do Ópera Mundi e do Página/12

 

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