Argentina elogia “continuidade política”; Cuba exalta Lula

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Publicado domingo, 27 de outubro de 2002 as 21:41, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Carlos Ruckauf, congratulou-se com o Brasil pelo que afirmou ser a capacidade de este país manter as políticas de Estado apesar de uma esperada vitória do candidato do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições deste domingo.

Em Havana, o presidente de Cuba, Fidel Castro, declarou-se um amigo de longa data do candidato petista, a quem elogiou por sua perseverança, além de afirmar que considera Lula pronto para exercer a Presidência.

Ruckauf, por sua vez, reiterou que a Argentina fará um convite ao presidente eleito do Brasil para visitar Buenos Aires, em novembro.

“Embora vá se dar uma mudança ideológica formidável, se vencer o candidato da oposição no Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso está preservando a integridade do projeto do Brasil frente ao mundo”, disse Ruckauf.

“Isso não é igual entre nós”, acrescentou o chanceler, em uma entrevista à Rádio América, neste domingo. “O Brasil tem uma atitude frente ao mundo quase imperial; a continuidade é uma atitude constante do Brasil; nós temos uma atitude de lutar entre nós”.

Para a Argentina, ainda segundo Ruckauf, é fundamental manter boas relações com o Brasil para que ambos os países negociem, juntos, sua possível participação na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

“A Alca é uma vantagem ou uma desvantagem, dependendo de como a gente analisa o cenário”, disse. “Nosso principal parceiro é um companheiro imprescindível nessa negociação”.

Fidel: “Lula tem autoridade”

O presidente de Cuba, por sua vez, disse não esperar grandes mudanças no Brasil apesar de uma possível vitória do candidato petista, o qual qualificou de “uma excelente pessoa e que tem autoridade”.

“Não há dúvidas de que Lula ganhará; nós somos amigos e eu admiro sua perseverança”, declarou o presidente cubano, na noite de sábado.

Castro elogiou o que chamou de uma guinada para a esquerda na América Latina, mas disse que não será fácil, para Lula como para outros presidentes da região, fazer mudanças no que se refere à dívida externa e à dependência de empréstimos condicionados pelos organismos financeiros internacionais.

“Você não pode esperar mudanças radicais ou revolução”, declarou o presidente cubano.