Argentina é vítima de operação suja, diz Cristina Kirchner

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Publicado quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 as 18:10, por: cdb

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse nesta quinta-feira que o governo da Argentina é vítima de uma “operação suja”, em referência ao caso da mala com US$ 800 mil apreendida com um empresário venezuelano em Buenos Aires em agosto.

Na quarta-feira, um promotor americano disse que o dinheiro seria usado na campanha da ex-primeira-dama à Presidência.

— Trata-se de uma operação suja contra o governo —, afirmou Cristina Kirchner, em uma cerimônia na Casa Rosada, sede da Presidência argentina.

— Mais do que amigos, querem países empregados e subordinados. Vamos continuar nos relacionando com todos os países da América Latina, incluindo a Venezuela —, acrescentou.

— Não é por ser mulher que vou deixar que me pressionem —, disse.
 
Segundo o analista político da emissora de televisão TN (Todo Notícias), Edgardo Alfano, as declarações da presidente argentina foram interpretadas como uma referência aos Estados Unidos.

Ameaças

Cristina Kircher tomou posse na segunda-feira e, dois dias depois, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que prendeu três venezuelanos e um uruguaio acusados de envolvimento no caso da mala.

Em agosto, o empresário venezuelano Antonini Guido Wilson, radicado nos Estados Unidos, tentou entrar na Argentina com os US$ 800 mil, acompanhado por autoridades venezuelanas e argentinas.

Nesta quinta-feira, os jornais Clarín e La Nación afirmam que Wilson teria passado informações ao FBI sobre o caso, depois de ter supostamente sofrido ameaças de pessoas que não queriam que ele revelasse mais sobre o assunto.

A imprensa argentina diz ainda que Tom Mulvihill, promotor federal adjunto de Miami, teria revelado que o dinheiro era para a campanha de Cristina Kirchner, mulher de Néstor Kirchner, então presidente da Argentina.

Proteção

Além de Cristina, o chefe de gabinete (equivalente a chefe da Casa Civil), Alberto Fernández, também reagiu ao episódio e disse que o governo americano estaria “protegendo” Antonini Wilson.

— A Justiça argentina já solicitou sua extradição, mas nada ocorreu Querem que ele fique parecendo vítima do governo venezuelano —, disse.

Fernández disse ainda que o caso da mala existe porque a Argentina apóia o Banco do Sul e porque o país agradeceu a ajuda que recebeu da Venezuela – que comprou títulos públicos argentinos durante a crise política e econômica no país.

— Estamos assombrados —, afirmou o chefe de gabinete.

— Se os Estados Unidos querem saber a verdade, que enviem Antonini Wilson à Argentina —, completou.