Argentina e Brasil olham com desconfiança para a Alca

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 23 de outubro de 2001 as 14:34, por: cdb

O início do seminário sobre a Área de Livre Comércio das Américas, Alca, que acontece nesta terça-feira na Câmara dos Deputados, foi marcado pelas preocupações diante da abertura comercial no continente. Segundo o presidente da Casa, Aécio Neves, e o do Senado, Ramez Tebet, a Alca é também um risco.

O mesmo ponto de vista foi manifestado pelo ex-presidente argentino Raúl Alfonsín. Aécio e Tebet lembraram das diferenças entre os 34 países que constituíriam a Alca e que isso representa interesses também distintos. “Temos que avaliar a nossa concordância com base no custo/benefício”, afirmou o presidente da Câmara.

“Precisamos ganhar tempo para, antes da Alca, implementarmos reformas necessárias, como a tributária, além da redução do Custo Brasil”, defendeu Ramez Tebet.

“Os países ricos investem todos os anos R 360 bilhões em subsídios. Há mais de 5,6 mil barreiras comerciais dos Estados Unidos a produtos argentinos. É claro que o problema não é só de tarifas”, lembrou o ex-presidente argentino, que defendeu o aprofundamento do trabalho do Mercosul junto a Organização Mundial do Comércio (OMC) para derrubar as barreiras não-tarifárias existentes no continente americano. Segundo ele, Brasil e Argentina também deveriam se unir nas negociações sobre suas dívidas externas.

Mesmo o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) Clemens Boonekamp reconhece que “ainda há muito que precisa ser feito para que os países possam se beneficiar do comércio internacional”. Ele acredita, no entanto, que a próxima reunião da OMC, em novembro, vai avançar nas questões relativas aos subsídios agrícolas e mesmo sob matérias de antidumping.