Argentina e Brasil assinam acordo bilateral de educação

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Publicado quarta-feira, 26 de novembro de 2003 as 08:38, por: cdb

Possibilitar a troca de experiências e contribuir para a formação de professores e alunos nas línguas portuguesa e espanhola. Essa será uma das principais finalidades do acordo bilateral assinado nesta terça-feira entre os ministros da Educação do Brasil, Critovam Buarque, e da Argentina, Daniel Filmus.

-A Argentina está muito interessada que o acordo com o Brasil não seja só econômico, como o do Mercosul, mas também cultural, para que os povos se conheçam- disse o ministro argentino.

Segundo ele, a intenção é começar com um programa piloto que vai atingir três escolas na região da fronteira entre os dois países.

-Inicialmente vamos criar três escolas-modelo, onde os alunos terão aulas de espanhol e português. Em julho do ano que vem, um grupo de 50 professores virá para Porto Alegre e outro irá até Buenos Aires, para aprender a língua e se aperfeiçoar na cultura comum entre os países- explicou.

De acordo com o ministro Daniel Filmus, a escolha da fronteira se dá por um motivo especial: muitas crianças estão passando por dificuldades em se comunicar em cidades onde o idioma mais falado não é o português e nem o espanhol, mas o “portunhol”.

– É natural que os países não deixem que os alunos falem o portunhol em sala de aula, para preservar a identidade nacional, mas precisamos garantir que eles saibam falar as línguas corretamente – disse.

Para o ministro Cristovam Buarque, a possibilidade do acordo vai além da simples troca de cultura e de linguagem. Pode permitir a integração completa do sistema educacional a exemplo do que acontece com o Mercosul.

 – Há 15 anos temos o Mercosul unindo as economias. Chegou a hora de unirmos também a cultura e a educação. Queremos criar uma espécie de ‘Educasul’, à mesma maneira do Mercosul- disse o ministro.

Com o sistema educacional comum, os problemas com validações de créditos e diplomas obtidos na Argentina ficarão para trás. Segundo Cristovam, a longo prazo, outros países poderiam fazer parte do acordo, estendendo todos os benefícios para América Latina.

 – Estamos criando uma comissão que ficará responsável em propor soluções para o problema dos diplomas. Poderemos saber qual universidade estará habilitada a ser reconhecida no outro país e daí por diante outros países também seriam incorporados – afirmou.