Argentina contraria FMI e descarta vetar lei de hipotecas

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Publicado sexta-feira, 23 de maio de 2003 as 18:52, por: cdb

O presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, não vai vetar a lei que impede que bancos reintegrem moradias. A medida coloca o novo governo em rota de colisão com o Fundo Monetário Internacional.

“O presidente disse claramente não ao veto”, afirmou nesta sexta-feira a repórteres o ministro da Economia, Roberto Lavagna, um dia após o FMI ter anunciado que a revisão do acordo de 6,78 bilhões de dólares foi suspensa por uma série de problemas, incluindo a proibição de execução de hipotecas.

A posse de Kirchner será no próximo domingo e ele terá um trabalho difícil para lidar com o Fundo e com os milhões de eleitores que entraram na pobreza durante a severa crise econômica do ano passado.

Lavagna, que é o atual ministro da Economia do governo de Eduardo Duhalde, permanecerá no cargo.

O Congresso argentino aprovou uma lei no ano passado que impedia que bancos reintegrassem as moradias mesmo que a hipoteca não estivesse em dia.

A medida tinha caráter emergencial, mas no começo do mês o Congresso a estendeu pela quarta vez dando 90 dias de fôlego aos proprietários. O FMI entende que a lei fere injustamente os bancos.

“A lei de hipotecas é um dos temas que nos preocupa”, afirmou o diretor de Relações Exteriores do Fundo, Tom Dawson.

O FMI assinou um acordo com a Argentina em janeiro no valor de 6,78 bilhões de dólares com objetivo de evitar novas moratórias do governo Duhalde durante o período eleitoral. O programa termina em agosto.