Argelinos recebem Chirac com festa em visita histórica

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 2 de março de 2003 as 19:41, por: cdb

Centenas de milhares de argelinos saíram às ruas para dar as boas-vindas a Jacques Chirac, o primeiro presidente da França a fazer uma visita de Estado a essa ex-colônia francesa, que se tornou independente há quatro décadas atrás, depois de uma luta sangrenta.

Os tão aguardados três dias de Chirac na nação do norte da África representariam um apoio aos esforços da Argélia para encerrar uma rebelião islâmica. A visita também serviria para curar as antigas feridas remanescentes da guerra da qual o próprio Chirac participou e que acabou resultando na independência argelina, em 1962.

Em Argel, onde uma multidão segurava cartazes com o retrato de Chirac, o presidente francês cumprimentou membros do público em meio a uma chuva de confetes que caía das janelas.
Bandeiras entrelaçadas da França e da Argélia tremulavam nos prédios e imagens de Chirac e do presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, decoravam os postes de iluminação.

Rakkah Amirouche, que segurava um cartaz com a frase “Não à guerra no Iraque”, disse que Chirac ficou ainda mais popular na Argélia, de maioria muçulmana, devido à sua posição em relação ao desarmamento do regime iraquiano.

A França é um dos principais países defensores da continuidade das inspeções de armas das Nações Unidas no Iraque.

Apesar de o objetivo oficial da visita ser a melhoria dos laços bilaterais, Chirac e autoridades do governo argelino devem abordar também a questão do Iraque, o terrorismo e a violência no Oriente Médio.

Neste domingo, Chirac recebeu as chaves da capital, visitou a área inundada pelas enchentes de 2001 e depositou uma coroa de flores no monumento em memória dos argelinos que lutaram contra a França.

A independência da Argélia devastou a França, que até então considerava a colônia tão parte de sua cultura e história quanto a Normandia ou a Provença. Mais de um milhão de franceses fugiram da Argélia após a guerra.

Executivos franceses de companhias como a Airbus acompanharam Chirac como parte de seus esforços para incentivar investimentos franceses na Argélia.

Na década passada, muitas empresas se retiraram do país no auge de uma brutal insurgência islâmica, na qual rebeldes buscavam derrubar o governo e instituir um Estado islâmico. De acordo com algumas estimativas, o conflito causou a morte de 120 mil pessoas.