Argélia é corredor de passagem ‘privilegiado’ para o narcotráfico

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Publicado quarta-feira, 24 de dezembro de 2003 as 08:49, por: cdb

O tráfico e consumo de entorpecentes na Argélia aumentou nos últimos anos e, segundo declarações das autoridades locais, este país norte-africano se converteu em um corredor de passagem “privilegiado” para os narcotraficantes.

O trânsito da droga pelo território argelino através das fronteiras de Marrocos e Líbia e inclusive através das de outros países africanos vizinhos como Mali ou Nigéria, aumentou durante os últimos dez anos.

Segundo o escritório argelino de luta contra o tráfico de entorpecentes e a toxicomania, as drogas duras como a cocaína e a heroína são pouco freqüentes, mas a resina de haxixe circula em grandes quantidades.

Em 2002, seis toneladas de haxixe foram apreendidas no território argelino e mais de 10.000 pessoas foram detidas durante o desmantelamento das redes de traficantes.

As autoridades reconhecem que esta quantidade é uma ínfima parte da que os traficantes conseguem colocar em circulação ou passar na Argélia.

Segundo estatísticas oficiais, a apreensão de haxixe durante os últimos dez anos equivale a 43 toneladas e mais de 60.000 pessoas se viram envolvidas no tráfico de drogas entre 1994 e 2001.

As mesmas fontes assinalam que, além dos argelinos, uma média de 150 pessoas de diversas nacionalidades estrangeiras são detidas a cada ano por tráfico ilícito de drogas.

As autoridades argelinas reconhecem que grandes quantidades de drogas, essencialmente haxixe, circulam pelo país, onde o consumo experimentou um aumento vertiginoso durante esta última década.

Recentes dados oficiais mostram que pelo menos 5 milhões de argelinos consomem drogas suaves, principalmente haxixe.

Um estudo elaborado pelas autoridades públicas mostra que mais de 70 por cento dos consumidores procuram a droga para escapar da pressão das múltiplas dificuldades de caráter socioeconômico como o desemprego, a precariedade na moradia ou a degradação do nível de vida.

Um responsável da luta contra o narcotráfico e a toxicomania explicou que também a violência terrorista tem uma parte de culpa da propagação do consumo de drogas na Argélia.

– O impacto da violência terrorista sobre a estabilidade social e sobre o equilíbrio psicológico do indivíduo constitui uma das causas do desenvolvimento da toxicomania na Argélia -, afirmou Belkacem Bujari.

Para fazer frente a este problema, o governo argelino criou há uns meses um escritório especial que iniciou o programa denominado “plano nacional de prevenção e de luta contra a droga e a toxicomania”.

Do ponto de vista legislativo, o programa em questão se encarrega de revisar os textos das leis argelinas sobre entorpecentes para ajustá-los às convenções internacionais.

O programa prevê o reforços das medidas de luta contra o tráfico e o consumo de drogas, sobretudo nos grandes centros urbanos onde a toxicomania se desenvolveu sensivelmente, dotando-os de mais meios humanos e materiais.

Trata-se entre outras coisas de multiplicar as brigadas especiais fronteiriças, de formar especialistas na matéria.

No que se refere à prevenção, os criadores do programa esperam desenvolver atividades “alternativas à droga” como o esporte e a cultura especialmente nos centros escolares e extraescolares e inclusive nos centros penitenciários para evitar os danos que já ocasionou à sociedade argelina.