Áreas de Bagdá já estão mais calmas

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Publicado domingo, 13 de abril de 2003 as 13:43, por: cdb

Algumas áreas de Bagdá pareciam mais calmas neste domingo, enquanto em outras a população continuava com os saques violentos. No lado leste da cidade, as forças americanas “policiavam” bancos e hospitais, lojas começavam a abrir suas portas e garotos jogavam futebol nas ruas. As pessoas se sentiam suficientemente seguras para sair de suas casas em automóveis, o que ocasionou problemas de trânsito durante a manhã. Os ônibus coletivos começaram a levar passageiros para o centro da cidade.

No entanto, algumas pessoas demonstraram sua fúria contra os soldados americanos por terem permitido quatro dias de saques contínuos. Uma nova inscrição, em inglês, pintada sobre um muro da cidade diz que “Bush apoia os saqueadores”. Bagdá foi varrida por uma onda de saques sem controle desde que as forças americanas tomaram a cidade na última quarta-feira (9). Os palácios presidenciais, ministérios do governo e o Museu Nacional do Iraque, que continha grande parte do enorme patrimônio cultural iraquiano, foram maciçamente pilhados.

As forças americanas – inseridas em uma cidade de com cerca de 5 milhões de habitantes – permaneceram praticamente à margem dos acontecimentos, o que provocou o rancor da população, que hoje se inclina a considerar o Exército invasor mais como um opressor que como libertador.

No lado oeste da capital iraquiana, os saques continuavam neste domingo. Famílias inteiras usavam carros puxados por burros para levar o resultado dos saques para casa. Os saqueadores chegavam em grande número a acampamentos e armazéns do Exército iraquiano ao longo de uma rodovia cercada por tanques e outros carros blindados. Na margem ocidental do Rio Tigre, os saqueadores retiravam o mármore das paredes do palácio presidencial Al-Salam e estátuas de seus jardins. “Assim viviam nosso faraós”, disse um homem que pediu anonimato. “Vejam como viviam, enquanto o povo não tinha sequer pão”.

Soldados americanos levantaram barricadas para deter veículos e passageiros que entravam e saíam da zona oeste da cidade. Inspecionavam veículos e condutores, agravando ainda mais a situação do trânsito.