Área protegida no Oceano Pacífico é ameaçado pela exploração e caça

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 13:53, por: cdb

O mangue Manchon-Guamuchal, uma área protegida no Oceano Pacífico guatemalteco desde 1998, está em grave perigo pela exploração e destruição florestal, causadas por resíduos tóxicos e pela caça que ameaça as espécies exóticas e marinhas.

Na praia, no mangue e na área de criação de tartarugas há grande poluição pelo despejo de resíduos e substâncias tóxicas da agricultura e de agro-indústrias, o que constitui uma ameaça para o ecossistema e para a saúde dos habitantes, segundo um estudo da oceanógrafa brasileira Yara Schaeffer-Novelli.

Segundo a especialista, a exploração do manguezal branco e vermelho (ou colorado), este último utilizado na construção de tetos de casas e como recurso energético, é uma das principais ameaças ao mangue, com extensão de 13.500 hectares.

Muitas das árvores de mangue são cortadas para serem utilizadas como “madriguera”, uma arte de pesca artesanal.

A caça de ratinhos-lavadeiros, a coleta de larvas de camarão e a queima de matagais e gramados para a captura de iguanas e de ovos de tartaruga marinha, também representam um perigo, adverte a oceanógrafa.

Os répteis como jacarés, crocodilos e lagartos foram tradicionalmente capturados nos pântanos para fins alimentícios e para extração de suas peles.

O Manchon-Guamuchal está localizado a cerca de 270 quilômetros da capital guatemalteca, nas áreas côncavas do rio Ocosito e Naranjo, no distrito de San Marcos, fronteira sudoeste com o México. No local residem as últimas povoações de jaguar.

A área é formada por estuários, praias marinhas, lagoas e manguezais costeiros de água salgada, mangues, rios de curso lento e riachos. Ela se separa do mar por um banco de areia de aproximadamente 100 metros de comprimento.

Também há diferentes áreas de vegetação que incluem dunas costeiras, florestas de palmeiras, e ainda pântanos, além de 70 espécies aquáticas, moluscos e peixes.

A Fundação Interamericana de Pesquisa Tropical (Fiit) conseguiu, em 1971, a inclusão de Manchon-Guamuchal na lista de importância internacional da Convenção sobre os Manguezais.

Os manguezais são considerados os sistemas naturais mais complexos por sua diversidade biológica, sobretudo pelas aves migratórias neo-tropicais.

De acordo com a Associação de Amigos da Floresta, Manchon-Guamuchal é talvez o único lugar remanescente no litoral sul da Guatemala para o descanso das aves que utilizam a rota ocidental de migração, que começa no Canadá e nos Estados Unidos.

Schaeffer-Novelli diz que o mangue é o único remanescente na Guatemala utilizado por 14 espécies de patos e 20 de garças. O local também é apontado pela especialista como a área mais importante de proteção especial no litoral sudoeste da Guatemala.

A costa do Pacífico têm uma beleza singular e exótica, suas praias são de areia preta de origem vulcânica e as áreas contam com diversos grupos de plantas, entre as que sobressaem palmeiras, cactus, seringueiras e herbáceas.

Segundo a oceanógrafa, o maior atrativo do mangue é sua beleza exuberante, especialmente a população de aves, formada por garças noturnas, brancas, azuis, além de patos, papagaios, periquitos, pelicanos, e outras aves.

No mangue existem cartazes de educação ambiental, mas a ambientalista destacou que falta um com os dizeres: “Feito com o coração, destruído pela ignorância”.

Ela ainda ressalta que o mangue marítimo-costeiro está classificado como uma comunidade em risco na Guatemala, em função de sua raridade, propensa a desaparecer, ainda que Manchon-Guamuchal se encontre protegido por leis e tratados subscritos no país.

Durante o II Congresso Florestal Latino-Americano, realizado em setembro passado, a Associação para o Trabalho Integrado dos Ecossistemas, Natureza e Ambiente pediu a proteção dos ecossistemas de mangue à Guatemala, que tem 502.207 hectares ocupados por este tipo de ecossitema.