Arafat diz que Sharon não está pronto para pagar o preço da paz

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Publicado segunda-feira, 28 de abril de 2003 as 09:57, por: cdb

“Sharon (Ariel, premiê israelense) não está pronto para pagar o preço da paz. Acho que nossa briga começou em 1982, durante a guerra no Líbano, quando por minha causa ele perdeu o cargo de ministro da segurança…Eu não sei o que ele quer de mim”, disse o líder palestino Iasser Arafat ao jornal israelense Maariv, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira.

Esta foi a primeira reação de Arafat desde a formação do novo gabinete palestino na semana passada.

Segundo o Maariv, Arafat está cansado, mas satisfeito. Ainda de acordo com o jornal, um dos assessores do líder palestino teria dito que há “nos territórios palestinos” um verdadeiro processo democrático que os israelenses não vão conseguir destruir.

“A guerra no Iraque só nos complicou. Eu sou o presidente (da Autoridade Nacional Palestina) eleito pelo povo palestino e agora vocês (israelenses) também entendem o que todo o mundo reconhece…Eu tenho a intenção de receber todos os líderes que virão para cá (Ramallah, na Cisjordânia), nas próximas semanas, para se encontrar comigo e espero que possamos renovar a negociação política em breve”, disse Arafat.

Sobre o plano de paz proposto pelos Estados Unidos, o líder palestino se mostrou esperançoso, mas disse que a situação é complicada.

“A guerra no Iraque complicou o plano e criou problemas geopolíticos difíceis no Oriente Médio. Os curdos querem um país, os turcos são contra. Todos estão preocupados. No plano americano, por exemplo, Sharon tinha um total de cem objeções que depois foram reduzidas para 16”, disse Arafat ao Maariv.

De acordo com a reportagem, é difícil descrever as condições em que Arafat trabalha.

Acostumado a tapetes vermelhos, salas luxuosas, hotéis cinco estrelas e viagens ao redor do mundo -confortos comuns a qualquer outro líder de governo-, atualmente Arafat trabalha em um prédio semidestruído, numa sala pequena e enfumaçada pelo seu cigarro, cercado de seguranças e assessores “dormindo em pé” pelos corredores.

Plano de governo

Nesta terça-feira, o designado primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen), deve apresentar seu novo governo perante o Conselho Legislativo Palestino.

A posse do governo de Abu Mazen deveria permitir a publicação de um “mapa” do plano de paz internacional, que prevê a criação de um Estado palestino até 2005.

Nesta segunda-feira, Arafat, que aceitou a lista de ministros apresentada por Abu Mazen na semana passada, depois de uma longa polêmica em torno da nomeação do gabinete, se reunirá com os deputados do Fatah [principal grupo político da Organização para a Libertação da Palestina, ligado a Arafat] para discutir planos de governo.